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Autônomo trabalha em dobro para manter salário e benefícios da CLT

18 Out 2018


O desemprego alarmante e a falta de perspectivas de melhora na economia têm levado trabalhadores a buscar no próprio negócio uma alternativa de sobrevivência. Porém, eles são obrigados a suportar uma carga de trabalho em dobro, para manter o mesmo padrão salarial e os benefícios equivalentes de quando tinham Carteira assinada.



Autônomo tem de trabalhar em dobro para manter padrão salarial da CLT


Segundo levantamento do instituto de pesquisa Datafolha, divulgado pelo jornal “Folha de S.Paulo” na segunda (15), um celetista que ganha R$ 5.148,66 por mês terá de faturar, como autônomo, R$ 10.519,76, para superar a perda dos benefícios trabalhistas.

Agência Sindical ouviu o presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, Pedro Afonso Gomes. Ele adverte: “O trabalhador que pretende ter o próprio negócio precisa avaliar bem. Sem planejamento o fracasso é certo. É preciso lembrar que muitos dos benefícios, como 13º salário, férias e abono, deixarão de existir”.

O economista faz as contas: “Se o autônomo for pensar em férias, é preciso retirar do pró-labore em torno de 11% por mês, para obter o salário mais um terço nas férias; e em torno de 10% por mês, se quiser o 13º salário no final do ano”, observa.

Dieese - Para Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, planejamento e avaliação são indispensáveis a quem passa a viver sem Carteira assinada. “É preciso ter uma boa reserva e planejar muito. A pessoa terá de administrar muito bem e, muitas vezes, não é o que acontece”, aponta.

“Em geral, essa iniciativa não vem acompanhada do cálculo econômico pra viabilizar essa atividade. Ela é uma atividade muitas vezes reativa. O trabalhador precisa de renda e busca qualquer atividade”, explica o diretor do Dieese.

Crise - Clemente lembra que a crise econômica gera pressão sobre o desempregado, levando-o a buscar um trabalho autônomo. Ante esta realidade, ele recomenda que o movimento sindical passe a olhar também para esses trabalhadores.

 “Temos que buscar formas de representação, mobilização e capacitação, além de organização econômica e representação do ponto de vista de sua proteção. Pensar um sistema de proteção previdenciária, assistência à saúde etc.”, ressalta.




Fonte: Agência Sindical
 
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