Data de publicação: 10 Out 2018




por Valmir Ribeiro



A Nova Central Sindical de Trabalhadores - NCST recebeu, nesta quarta-feira (10), o chefe adjunto da seção política da Embaixada dos Estados Unidos da América, Kile Richardson. Na oportunidade, dirigentes sindicais da NCST compartilharam conhecimentos e informações sobre a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT; sobre o sistema sindical brasileiro bem como apresentaram as angústias da precarização das relações entre capital e trabalho resultantes da chamada “reforma” trabalhista.

O estrangulamento financeiro das entidades após a retirada da principal fonte de custeio, apontaram os sindicalistas, reduziu as receitas sindicais entre 80% a 90% para as entidades de grau superior; e entre 60% a 70% das entidades de base. A situação, informaram, obrigou as entidades a reduzirem quadro de pessoal, negociar venda de patrimônio e diminuir custos, até mesmo, em departamentos estratégicos, essenciais à atividade sindical.

O desemprego nas entidades, que segundo estatísticas do Dieese já atinge 120 mil empregos diretos, soma-se aos mais de 1 milhão de novos desempregados após a implementação da chamada “reforma” trabalhista; contrariando os argumentos do governo de que a flexibilização e novas modalidades de contratação estimularia a disponibilidade de mais postos de trabalho. As lideranças sindicais argumentaram que tal premissa desconsiderou que o rebaixamento da renda dos trabalhadores, por meio de contratações precárias, desaqueceu a economia através de significativa redução do poder aquisitivo no mercado consumidor interno. Este ambiente, reforçaram os dirigentes, resultou no fechamento de incontáveis micro, pequenas e médias empresas; especificamente as que mais empregam no país.

Os sindicalistas apresentaram características peculiares do movimento sindical brasileiro, como a unicidade sindical - representação exclusiva de uma categoria em determinada base territorial - com conquistas que, uma vez alcançadas pela entidade, beneficia toda a respectiva categoria representada, independentemente da filiação individual de seus integrantes. A contribuição facultativa, apontaram, perde seu estímulo voluntário, criando condições que desestimulam o trabalhador a dar sua cota de colaboração financeira para assegurar o financiamento das atividades sindicais de sua categoria.

O pragmatismo sindical da NCST, não integrando nenhum braço político de partidos, também foi apresentado na oportunidade. Tal circunstância, reforçaram os sindicalistas, assegura maior independência nas negociações junto a qualquer governo, perseguindo especificamente o atendimento das reivindicações das categorias representadas, sem o peso da oposição ou da harmonia ideológica com o governo da ocasião. 

Kile Richardson agradeceu a reunião bem como o compartilhamento de conhecimentos sobre o sistema sindical e legislação trabalhista brasileira. Se prontificou a facilitar diálogos junto à Embaixada dos Estados Unidos e reforçou a disposição de propiciar pontes entre a NCST e entidades sindicais norte-americanas.





Participaram do encontro:


- José Calixto Ramos - Presidente da NCST

- Moacyr Tesch Auersvald - Secretário-geral da NCST

- João Domingos Gomes dos Santos - Diretor de Finanças da NCST

- Vera Leda Ferreira de Morais - Presidente da NCST/DF

- Lineu Neves Mazano - Secretário Nacional do Plano dos Servidores Públicos da NCST




* serviço fotográfico de Kleber Freire





Imprensa NCST