Economista explica que desvalorização atende à lógica de operação do mercado e do Estado, baseada em precarização do trabalho das mulheres.
Políticas que visavam a possibilitar autonomia das mulheres foram interrompidas por emenda que limitou gastos, diz pesquisadora(Antonio Cruz EBC/Reprodução ).
O trabalho doméstico e de cuidados realizado majoritariamente por
mulheres (
https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2018/08/avanco-da-crise-e-da-informalidade-levam-mais-mulheres-ao-mercado-de-trabalho )é considerado essencial para o desenvolvimento da economia do país, segundo estudo realizado pela organização Oxfam Brasil. Intitulada
Empoderamento econômico das mulheres no Brasil, (
https://www.oxfam.org.br/sites/default/files/publicacoes/trabalhos_domesticos_cuidados_-_diagramado_final_2.pdf ) a pesquisa destaca que, em tempos de crise, o crescimento desse tipo de atividade mascara a falta de respaldo do Estado a políticas públicas mais atentas a tensões sociais.
A economista Marilane Teixeira, autora do estudo, ressalta em entrevista a Ana Rosa Carrara, da
Rádio Brasil Atual, que a separação feita entre a produção econômica do trabalho doméstico e a sua reprodução social, como a ausência de remuneração adequada, é "conveniente" ao próprio sistema capitalista.
"O estudo tem um pouco o sentido de explicitar isso, com a perspectiva de que a sociedade assuma o tema dos cuidados como uma política pública e como responsabilidade de homens, mulheres e do Estado", justifica Marilane, doutora em desenvolvimento econômico e pesquisadora na área de relações de trabalho e gênero.
"As crises, os ajustamentos, são feitos com base no trabalho gratuito das mulheres", aponta a autora, recomendando o investimento na saúde e educação como uma forma para superar a desvalorização e precarização do trabalho doméstico.
Ouça a reportagem:
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https://soundcloud.com/redebrasilatual/em-tempos-de-crise-redobram-os-trabalhos-tradicionalmente-destinados-as-mulheres )
Fonte: Rede Brasil Atual - RBA