Data de publicação: 31 Jan 2018


Aníbal Machado, à esquerda, representante da NCST no Conselho Nacional de Saúde - CNS.



Segundo informações do Ministério da Saúde (MS), de julho de 2017 a 23 de janeiro deste ano foram diagnosticados 130 casos de febre amarela em todo o país e confirmados 53 óbitos nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Os dados foram apresentados pelo Ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante a 301ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS), nesta terça-feira (30/1), em Brasília.

Os conselheiros nacionais de saúde e colaboradores - entre eles o Coordenador Adjunto da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalho (CIST) e representante da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) no CNS -, Aníbal Machado, trouxeram o tema para discussão diante da crescente procura pela vacina em todo o país. 

"Além disso, nos causa surpresa que, diante da diminuição dramática dos recursos para a área de Saúde, informações mínimas relacionadas ao modesto orçamento direcionado aos municípios ainda seguem negligenciadas. Somente no ano de 2017, o governo retirou recursos da ordem de R$ 2,9 bilhões, situação que tende a se agravar com a sanção da Emenda 95, que congela, por longos 20 anos, investimentos no setor. A troca do sistema de repasse para os municípios engessa e torna morosa a aplicação do orçamento. Nós queremos saber, detalhadamente, o valor total destes recursos e em quê deverão ser aplicados. Nós temos problemas urgentes que precisam de uma resposta rápida e eficiente do Estado. Temos ambulâncias do Samu sucateadas; temos unidades de atendimento sucateadas; nós  temos equipamentos para atender a população sucateados. Precisamos melhorar isso! Mas com quê recurso? Como iremos fiscalizar se o próprio governo não nos dá elementos mínimos de informação para que possamos executar a tarefa? Essa foi uma cobrança que pontuamos e solicitamos uma resolução do CNS cobrando isso do Ministério da Saúde", argumentou o representante da NCST.


Combate à Febre Amarela


Na oportunidade, o MS reforçou que as áreas determinadas para vacinação continuam as mesmas e que as medidas de prevenção, como intensificação de vacinação e fracionamento de doses, também continuarão sendo realizadas e atualizadas conforme as necessidades.

O ministro da saúde citou ainda os quatro casos recentes de mortes em decorrência da vacina, divulgadas pela imprensa. “Não estamos vacinando pessoas que estão fora da área de risco. Existe um risco de reação à vacina e por isso não se vacina todo mundo. Este é o protocolo da Organização Mundial de Saúde”, afirmou o ministro Ricardo Barros ao destacar a importância do combate à desinformação.


Vacinação e dados sobre óbitos

 
O conselheiro nacional de saúde e representante do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Heleno Rodrigues Correa Filho, solicitou um boletim com estes casos específicos e destacou que as informações publicadas no site do Ministério da Saúde, em 2008 – atribuindo 9 mortes à vacina da febre amarela na campanha realizada naquele período – não estão mais disponíveis. “É preciso informação técnica adequada sobre essas supostas mortes, em decorrência da vacina, porque isso tem alardeado a população”, conclui.

De acordo com a representante do Ministério da Saúde Carla Domingues estes casos ainda estão todos sob investigação e a mídia está se antevendo a divulgação de casos suspeitos. “Todos serão devidamente investigados para que possamos avaliar se há associação causal ou apenas uma associação temporal”, afirmou. “Mesmo ocorrendo esse número que a mídia aponta, ainda temos incidência muito abaixo do esperado”, completa ao se comprometer a disponibilizar o boletim com essas informações o mais rápido possível.

Uma ampla da vacina contra a febre amarela tem 5 doses e pode vacinar até 25 pessoas. Após aberta, a ampola perde o efeito em 6 horas. A meta do Ministério da Saúde é vacinar 95% de 23,8 milhões de pessoas nos estados de SP, RJ e BA, sendo que na Bahia a campanha começa no dia 19 de fevereiro.


1ª CNVS

 
O CNS vai intensificar o debate durante a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde (CNVS) que será realizada de 27 de fevereiro a 1º de março, em Brasília. O objetivo do evento é a implantação da Política Nacional de Vigilância em Saúde e a integração entre as vigilâncias epidemiológicas, sanitária, de saúde ambiental e de saúde do trabalhador.
 



Fonte: Assessoria de Comunicação do Conselho Nacional de Saúde – Ascom-CNS com adaptações da Imprensa NCST