Data de publicação: 21 Nov 2017






Milhares de pessoas participaram neste domingo, (20/11), de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, para lembrar o Dia da Consciência Negra. O ato teve início no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Depois os manifestantes seguiram em passeata até o Theatro Municipal, no centro da cidade.

O protesto chamado: “Marcha por um projeto de vida político voltado para os negros”, reuniu vários movimentos, sindicatos e as Centrais Sindicais.

Na oportunidade, a Secretária de Igualdade Racial da Nova Central São Paulo, Cátia Laurindo, declarou: “que as pesquisas confirmam o racismo estrutural vigente no Brasil, como mostra o Atlas da Violência 2017. Em cada 100 pessoas assassinadas no país, 71 são negras, pobres e presidiárias. Isso já virou parte do cotidiano. A 14ª Marcha da Conscicência Negra resiste e continuará na luta.”


“Em estudo recente do IBGE foi comprovado que a cada 3 desempregados, 2 são negros. Dados assim só evidenciam cada dia mais que o Brasil é um país racista, onde as oportunidades para a população negra é menor, e quando existe oferta de trabalho, o negro recebe a metade do salário do branco. O povo negro de São Paulo participou da marcha no dia 20 de novembro pela igualdade racial e pela igualdade de oportunidades”, declarou o Secretário Estadual da Igualdade Racial, Benedito Aparecido Barbosa.

O ato reuniu milhares de pessoas na Capital Paulista e contou com a presença de grandes artistas. Entre eles estiveram: "Seu Jorge" que marchou junto com outras pessoas na paulista.

Abaixo segue o texto que a organização da marcha publicou:

Neste 20 de novembro de 2017, nós, povo negro, vamos às ruas marchar por uma sociedade mais justa para todas e todos. Nossa luta é contra contra o racismo, o genocídio do povo negro, o feminicídio, o machismo, o etnocídio, a LGBT fobia, o racismo religioso, o encarceramento em massa e todas as formas de violência eviolação dos direitos humanos, contra o golpe que tem promovido a retirada de nossos direitos.

Também convocamos você que se considera negra ou negro, assim como você que, independentemente de sua cor, se solidariza com a luta antirracista em nossa sociedade. Vivemos ainda hoje uma abolição inconclusa, na qual Estado e as elites historicamente dominantes de nosso país apenas tiraram negras e negros das senzalas das fazendas para nos jogar nas periferias e favelas. O tempo todo, a grande mídia e o discurso das classes dominantes se esforçam para mostrar que essa realidade pertence ao passado, mas a herança escravista traz grandes consequência negativas para a vida de toda a população brasileira – na economia, saúde educação, trabalho e muitas outras questões de nossa sociedade.

Nestes espaços para onde foi jogada a população negra, ao mesmo tempo que se nega toda espécie de direitos para os cidadãos se concentram todos os mecanismos de violência e controle, especialmente aqueles encabeçados pela força policial. Assim como nos tempos de escravidão, a polícia age não para garantir segurança mas para controlar as vítimas dessa sangria promovida por ricos e poderosos do país.

Mas a população negra resiste. E a Marcha de 20 de novembro simboliza nossa luta histórica! E nesta edição em especial queremos mostrar porque ainda hoje ela se faz tão necessária para todos e todas que aspiram uma sociedade mais justa.





Fonte: NCST/SP