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Na reunião do Conselho Nacional de Saúde - CNS, realizada nos dias 8 e 9 de Dezembro, em Brasília foram discutidos importantes temas para a contribuição da melhoria da qualidade da saúde pública, em destaque para a discussão da realização da 1ª Conferência de Vigilância em Saúde, apresentação da comissão Intersetorial de orçamento e financiamento, discussão do contexto atual da saúde indígena Brasileira e em especial, a discussão do trabalho decente e suas relações com a saúde.
Como preconizado pela OIT foram abordados dois grandes eixos: igualdade e dignidade. "Atualmente quando se fala em trabalho decente, se faz necessário refletir onde podemos avançar, o que falta para alcançar para se conquistar a dignidade plena do trabalho a partir de uma perspectiva integral biopsicossocial, pois este é o grande desafio, tendo em vista que um dos principais problemas relacionados a saúde do trabalhador e da trabalhadora atualmente, são as doenças crônicas não transmissíveis e a saúde mental", enfatizou Cláudia Carnevalle, representante da Nova Central e da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB).
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Na virada do capitalismo, o trabalho que antes libertou , hoje acaba aprisionando. "As pessoas apesar de seus direitos conquistados pela luta da classe trabalhadora, hoje está refém dos diversos processos degradantes de trabalhos, e de forma perversa e conivente , aceitam cumprir metas abusivas e intensificação da sua capacidade produtiva, onde o “bom trabalhador" é aquele que está disponível de forma integral seja presencial ou conectado na web, versátil e flexível, fazendo com que abandone os principais espaços que promovem um reequilíbrio na sua saúde mental como família, lazer, amigos, religião entre outros", lembra o diretor da Nova Central, Luiz Anibal.
Para os representantes da Nova Central, a relação de igualdade e dignidade, foram discutidas como uma valorosa questão relacionada ao gênero, pois ainda no país, a mulher trabalhadora apesar de ocupar diversos cargos de destaque e muitas vezes com melhores qualificações, está comprovado que recebe 30% a menos que o homem e em vários casos submetida a diversas violências no ambiente de trabalho, como o assédio moral e sexual. Segundo dados levantados, cerca de 67% (ou duas em cada 3) das brasileiras se consideram estressadas na maior parte do tempo e o risco de infarto em mulheres é 40% maior graças ao estresse no trabalho.
Para concluir foi constatado no evento que nos dias de hoje, a luta vai além, no que diz respeito ao trabalho decente. Lembrando que a variável mais desafiante está relacionada ao direito ao trabalho e a “modernização” da CLT a partir da desconstrução dos direitos conquistados. Assim se faz necessário uma crítica para que não sejam revogados direitos mínimos previstos, os quais estão sendo ameaçados pelo ambiente político e pela governança brasileira.
"A nossa luta será para preservar e aumentar os direitos do trabalhador, debatendo o trabalho decente a partir do que está preconizado na OIT e nos direitos humanos, no que diz respeito ao direito ao trabalho com igualdade e dignidade", encerra Carnevalle.
Fonte: Cláudia Carnevalle e Luiz Anibal V. Machado