
O diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz, avaliou que as medidas de Temer a curto prazo vão na contramão da retomada do crescimento e da geração de emprego e renda. Ele usou como exemplo a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 que foi aprovada nesta quarta-feira (26) na Câmara dos Deputados e será encaminhada para o Senado.
Clemente explica que a retomada do crescimento econômico exigiria por parte do governo uma capacidade de investimento e de sustentação de gastos que a PEC apresentada não admite. “Neste momento o que está sendo proposto pelo governo é uma ideia quase que alucinada de tamanho para o gasto público”, destacou.
A PEC 241 congela por 20 anos gastos com despesas nas áreas de saúde, educação e assistência social, o que vai reduzir os serviços voltados para a maioria da população. “O Estado tem papel importante na dinamização da economia, mas quando o Estado atua para restringir o investimento, ele, na verdade, está optando para não dar condições em curto prazo para essa saída de dinamização da economia. Não é uma opção que virá dos empresários e nem do mercado externo”, esclareceu Clemente.
Precarização das relações de trabalho
O ciclo perverso a que está submetido o trabalhador está longe de provocar riso diante de um quadro em que as pessoas desistem de procurar emprego e onde cresce o número de ocupações precárias.
“A precariedade nas condições de trabalho impacta diretamente nas condições de vida, promovendo adversidade e fragilizando o trabalhador. Prejudica o que está desempregado e o que está empregado, que fica submetido a alto grau de estresse com a possibilidade de perder o emprego”, analisou Clemente.
A Informalidade é sinônimo de baixos salários, o que gera um efeito dominó na economia. “A redução da massa salarial traz redução da própria atividade econômica. Parte dessa dinâmica é dada pela capacidade do consumo do mercado interno. Se diminui essa capacidade, a dinâmica econômica sofre, o que impacta em diminuição dos postos de trabalho”, explicou o diretor do Dieese.