
O deputado Federal, Eduardo Cunha (PMDB/RJ) afastado da Câmara por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) convocou a imprensa para uma entrevista coletiva na terça-feira (21/6). O clima de suspense agitou o Congresso Nacional, teve parlamentares que esperava sua renúncia do cargo ou delação de desvio de conduta de outros políticos.
Durante uma hora e meia, o que se ouviu foi a repetição de argumentos de sua defesa e um retrospecto da sua carreira política. Indignado com seus opositores, fez críticas aos seus adversários e dissertou sobre temas diversos, como a última eleição presidencial.
Apenas dois deputados compareceram, possa ser que há cada vez menos gente disposta a ouvi-lo. Os canais de telejornalismo transmitiram o início da fala, mas cortaram o sinal quando perceberam que não haveria notícia relevante. A cobertura ao vivo só continuou na TV Câmara. Para seus desafetos, a presença da emissora oficial foi uma nova prova de que ele continua a dar ordens na Casa, embora esteja proibido de pisar lá.
Cunha alegou sofrer ameaças, e só não registrou ocorrência, porque segundo ele, não costuma fazer drama. Depois admitiu sua influência no governo Temer, para recuar em seguida. "Qual o crime de ter nomeado quem quer que seja? É motivo de prisão nomear? Mas eu não nomeei ninguém", disse. Em outro momento, deu o recado que desejava: "Eu não tenho o que delatar".
A entrevista não rendeu manchetes, mas serviu para mostrar seu isolamento político. Até outro dia, circulava cercado por uma tropa de choque, na entrevista discursou sozinho, cercado por cinco cadeiras vazias.