
Goiânia iniciou 2016 encarrando uma realidade nefasta de violência. Sem ações coercitivas que possam impedir este quadro de se agravar, além de não haver um efetivo policial mínimo necessário, a população de Goiás segue assustada e insegura.
Para chamar atenção das autoridades competentes em relação a este fato, a Nova Central Sindical de Trabalhadores de Goiás (NCST/GO), a Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), o Sindicato dos Policiais Federais em Goiás (SINPEFGO), a Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF), juntamente com a sociedade, estiveram reunidas nesta quarta-feira (09/03) para participarem da manifestação “Goiás sem Violência”.
O local escolhido para o encontro foi em frente à sede da Polícia Federal de Goiás, aonde as lideranças sindicais e os manifestantes registraram suas reivindicações e clamaram para que seja dada mais atenção a segurança pública no estado, além de melhores condições de trabalho aos policiais que atualmente são as principais vítimas desta violência.
“A falta de segurança e a intranquilidade existente hoje no país veio com o tempo se alastrando, em especial porque não temos um efetivo de policiais suficientes para dar conta de tanta criminalidade”, registrou o Diretor de Formação Sindical e Qualificação Profissional da Nova Central, Sebastião Soares, também Diretor da CSPB.
Sebastião lembrou ainda que esta questão de segurança pública é uma responsabilidade de todos, e com isso se faz necessário a busca coletiva de alternativas no sentido de se alcançar uma condição de vida que seja efetivamente mais tranquila e segura, sendo que esta violência, também denominada por ele como “epidemia nacional” deve ser discutida e solucionada o quanto antes.

Este ato que teve a frente o presidente do SINPEFGO, Ivo Arruda significou para ele muito mais um momento de reflexão em relação ao aumento de assassinatos e agressões registrados em seu estado, onde o governo precisa voltar a sua atenção para a segurança pública no país, além de melhorar as condições de trabalho dos Policiais Federais. “A segurança pública só se faz com a valorização dos trabalhadores que nela atuam. E hoje os policiais saem para trabalhar e não tem certeza se vão voltar. Não podemos mais aguentar esta situação. É preciso uma mudança urgente para este sistema”, manifestou Ivo.

Em relação a janeiro do ano passado, o aumento dos assassinatos ocorridos em Goiânia foi de 12,5%. Foram 54 mortes em 2016 contra 48 registradas em janeiro de 2015. Em relação ao mês anterior, houve 3,85% de aumento no número de mortes matadas. O resultado reflete a falta de ações e projetos do Governo de Goiás, inerte e incompetente para conter o crescimento da criminalidade no Estado e, especialmente em Goiânia e região metropolitana. “A condição de violência em que se encontra a região de Goiânia é vista hoje como sendo insuportável. Chegamos ao limite e não podemos mais deixar que continue assim. Muitos dos nossos policiais sofrem com a coerção praticada por bandidos em um lugar em que se defende o Estado Social Democrático de Direito e por isso não podemos permitir que isso aconteça”, manifestou o presidente da Nova Central de Goiás, Roosvelt Dagoberto da Silva.
Além disso, Roosvelt também lembrou que no Congresso Nacional, nada se discute em relação a segurança do trabalhador, e o código penal por ser arcaico permiti que os bandidos ao serem presos, não fiquem muito tempo na cadeia, saindo na sequência para cometer outros crimes. “Vivemos em um país democrático e temos de ter mais liberdade para ir e para vir”, disse.
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Sebastião Soares que coordenou o pronunciamento dos participantes, encerrou a manifestação lembrando sobre a preocupação da Nova Central em relação as questões que envolvam a segurança pública no Brasil, e que a central irá trabalhar para que os poderes públicos possam mudar este quadro nefasto em que vive o país, e por meio de leis, seja possível trazer mais tranquilidade e segurança a toda a sociedade brasileira.
Pelo quarto ano consecutivo, Goiânia, capital do Estado de Goiás, aparece no ranking das cidades mais violentas do mundo. Em 2012 a cidade era a 34ª onde mais se mata no mundo. Em 2013 avançou no ranking e ocupou a 21ª posição. Um ano mais tarde, em 2014, foi a 23ª e agora, em 2015, Goiânia figura na 29ª posição ao lado da vizinha Aparecida de Goiânia. As entidades envolvidas na manifestação “Goiás sem Violência”, buscam trabalhar em prol de mais segurança, com menos violência e tentar mudar estes dados apresentados recentemente pela Ong mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal.