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Ato Unitário Sindical da Comissão da Verdade em São Paulo

7 Out 2013

O Grupo de Trabalho Ditadura e Repressão da Comissão Nacional da Verdade promoveu em 01/10 no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo um grande Ato Unitário Sindical para discutir a atuação do Comando Geral dos Trabalhadores e seus lutadores durante o golpe de 1964, que apoiaram a legalidade do governo João Goulart, que acabou sendo destituído pelos militares.

 

Na abertura dos trabalhos, a integrante da comissão responsável pelo grupo, Rosa Cardoso, afirmou que o objetivo do trabalho não pretende revanche, mas, todavia, resgatar a verdade dos fatos e revelar os lutadores que pagaram com prisões, torturas e até mesmo a morte sua luta em defesa da classe trabalhadora.

 

Os grupos itinerantes, segundo Cardoso, estão pesquisando e formulando relatórios a partir de 11 temas centrais que ao final devem gerar importantes discussões e posteriores recomendações, a fim de que as “vítimas sejam reconhecidas e os culpados respondam por seus atos”.

 

Participaram desta importante reunião as principais centrais sindicais do país (Nova Central, CTGB, CTB, Força Sindical, UGT, CUT, CSB, CSP-Conlutas, Intersindical), que, inclusive, indicaram representantes ao grupo de trabalho. Pela NCST, por exemplo, faz parte o assessor político, Orlando Moreira Junior (Bira), que esteve preso no DOPS por delação de agentes infiltrados quando era funcionário da extinta Companhia Municipal de Transporte Coletivo (CMTC).

 

Em seu pronunciamento, José Calixto Ramos, presidente da Central Nacional, ressaltou que a entidade trabalha de forma séria e transparente para resgatar a história dos tempos de chumbo, ajudando, sem cessar, a fazer justiça “aos companheiros que se tornaram vítimas por lutar pela classe operária e pela democracia do país”.

 

Destaque, também, para a presença de representantes de movimentos sociais e lideranças políticas, como o ex-ministro do Trabalho ex-presidente do DIEESE, Walter Barelli, da ex-deputada estadual, Ana Martins, e do deputado estadual, Adriano Diogo (PT-SP), respectivamente.

 

Grandes lutadores daquele período registraram seus relatos durante o ato unitário, como o líder sindical Clodsmith Riani (preso e torturado logo após a instalação do golpe), o hoje presidente do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, Raphael Martinelli (à época líder dos ferroviários), além do ex-presidente do Sindicato dos Condutores de São Paulo, Alcídio Buono (preso e torturado por 14 dias na cela do DOI-CODI).

 

“É importante que todos saibam o que passamos durante os tempos de chumbo e se solidarizem nesta luta, que evoca nosso espírito soberano de democracia e desenvolvimento nacional”, enfatizou Raphael Martinelli em sua fala.

 

Este grande trabalho de reconstrução da memória e verdade dos trabalhadores, como preconiza a luta, terá continuidade com Atos Públicos itinerantes em Ipatinga-MG, Rio de Janeiro, Santos-SP, Osasco-SP, ABC-SP, e onde mais testemunhas e colaboradores poderão trazer à luz das investigações fatos que ajudem a esclarecer “este período que tentou, mas não conseguiu calar a voz dos trabalhadores e suas lideranças”, afirmou Rosa Cardoso. 

Fotos: William Ribeiro
Fonte: NCST/SP


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