Atendendo a convocação das centrais sindicais, os trabalhadores brasileiros em todas as capitais e centenas de cidades se mobilizaram e tomaram às ruas defendendo uma agenda ampla e unitária de melhorarias de suas condições de trabalho, ampliação da qualidade dos serviços públicos de saúde, educação e segurança e em defesa das riquezas nacionais, como os poços de petróleo.
Rio de Janeiro leva milhares para a Avenida Rio Branco
A principal atividade do dia nacional de luta do 11 de julho na Cidade do Rio de Janeiro foi a passeata que começou na Candelária e seguiu até a Cinelândia, trajeto histórico de manifestações na capital fluminense. O evento – maior do Brasil – transcorreu na mais perfeita ordem durante todo o trajeto na Avenida Rio Branco até as imediações do Museu Nacional e Teatro Municipal, pouco antes de chegar à Cinelândia. Um grupo fascista marchou contra o carro de som da manifestação e criou um corre-corre que congelou a manifestação neste ponto.

A foto acima, divulgada pelo jornal O Globo, página 5, desmentiu a informação que apenas 5 mil manifestantes participaram do Dia Nacional de Protesto no Rio de Janeiro sob o comando das centrais sindicais. Mais importante que definir quantidade de manifestantes, obviamente acima dos cálculos do jornal O Globo, é considerar o apoio da população e a consistência das palavras de ordem que interferem diretamente no panorama econômico do país. Além do fato, que as manifestações do movimento sindical têm cara e lideranças capazes de desenvolver negociações com os governos e com o Congresso Nacional. E outro aspecto a considerar é que ocorrerão outras manifestações daqui pra frente, já se vislumbrando a marcação de uma greve geral no mês de novembro próximo.
A imprensa comercial, capitaneada pelas Organizações Globo, não tem nenhuma autoridade para fazer juízo de valor sobre manifestação de rua, pois no dia primeiro de março diante da greve dos motoristas de ônibus em campanha salarial – cujo sindicato é filiado a Nova Central -, que paralisaram totalmente a Cidade tentaram jogar a população contra o sindicato da categoria. Agora tentam dar uma conotação de superioridade as passeatas de junho, majoritariamente de jovens e classe média alta, em comparação às dos trabalhadores do último 11 de julho. É claro, que as manifestações de junho e as de agora, são cumulativas e não tem entre si, nenhuma contradição. Apenas representam conflitos distintos que devem ser entendidos e resolvidos da mesma maneira pelos governos e congressistas.
A Nova Central junto com a CUT, UGT, Força Sindical, CTB e movimentos sociais como o MST, UNE entre outros – neste 11 de julho – entoaram suas palavras de ordens e seus cantos e refrões durante todo o trajeto. Num carro de som da coordenação, um pouco atrás da faixa que abriu a passeata com os dizeres “Dia Nacional de Luta – com greves e manifestações”, as lideranças sindicais das centrais sindicais se revezavam, puxando palavras de ordens unitárias e dirigiam a manifestação, no sentido da harmonia e tranquilidade do evento. Também havia representantes sindicais não só da capital mas também de outros pontos do estado presentes na passeata. Partidos políticos como o PSOL, PPL, PCB, PSTU e PC do B marcaram suas presenças.
Dentre as reivindicações entoadas pelo ato, às principais bandeiras de luta das centrais sindicais presentes eram: o fim do fator previdenciário; a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial; reajuste dos aposentados; maiores investimentos para os setores da saúde, educação e segurança; maior qualidade nos transportes públicos; reforma agrária; o fim da PL 4330 que amplia a terceirização e o fim dos leilões de petróleo.
Segundo Sebastião José da Silva, presidente da Nova Central RJ, uma das centrais sindicais promotoras da manifestação, a passeata foi vitoriosa independentemente da confusão no final. “Esse tumulto nada tem a ver com os trabalhadores. Nossas bandeiras foram defendidas. E ficou claro o apoio que recebemos da população. Cabe a polícia dar segurança aos manifestantes. No final, ela pecou e deixou de lado seu papel. Cabe ao governador garantir o direito de manifestação, cumprindo a Constituição”, declarou Silva ao portal da NCST/RJ.
Para Sérgio Silva, vice-presidente da NCST/RJ, membro da comissão organizadora da passeata, o que se viu na Rio Branco foi os trabalhadores tomando as ruas e isso é muito bom para a sociedade. “Todos deveriam fazer o mesmo”, concluiu.
O tom pacífico da manifestação em mais de 95% de seu trajeto descambou pra um corre-corre quase ao chegar na Cinelândia devido a ação deliberada de um pequeno grupo de arruaceiros que – através de atitudes fascistas – não se conforma com a realização de eventos pacíficos. Um grupo de trinta mascarados se colocou em frente do carro de som principal e impediu seu trajeto. O direito de manifestação é garantido pela Constituição e quem ataca essa conquista não pode ser denominado, nada menos nada mais, do que com o nome de fascista. O desequilíbrio dessa ínfima minoria é potencializado pela ação, da mesma forma, tresloucada da Polícia, que se mostra bipolar. Ou fica alheia a realidade ou atua com truculência sem identificação de seu alvo. Ataca pessoas pacíficas da mesma forma que baderneiros. Mesmo sem querer, com essa atitude atua ao lado dos que não se conformam com a paz nas manifestações. Nesse dia 11, a confusão começou assim: os arruaceiros mascarados lançaram rojões (utilizados em festas juninas) numa ruazinha por trás do Museu Nacional e põe fim a uma manifestação em que 95% de seu trajeto se desenvolveu em paz. . O barulho ensurdecedor assustou quem estava à frente da manifestação abrindo um clarão. A polícia revidou com bombas e, entornou de vez o caldo, pois a parte da frente da passeata se transformou em corre-corre e, daí pra frente, o que se viu foram as loucuras dos mascarados com seus rojões e as da polícia, com suas bombas.
A democracia foi penalizada. A polícia tem que saber separar o joio do trigo porém ela carece de sabedoria para isso. Continua como na época da ditadura, sabem dar porrada e mais nada. Sobrou um ensinamento para as entidades promotoras de atos de rua: elas mesmas fazerem a segurança de suas manifestações. A luta continua, nada e ninguém vai impedir manifestações de trabalhadores. Cumprimos com nosso objetivo e nossa mensagem foi divulgada com o apoio maciço da população.
Fonte: NCST/RJ