Os policiais ferroviários federais de Pernambuco paralisaram as atividades depois que 23 agentes da categoria foram presos pela Polícia Federal (PF), na manhã desta quarta-feira (27), no Recife, sob a alegação de que eles não podem trabalhar armados.
Omar José, presidente da CNTTT, e Edson Lima, diretor da Nova Central, denunciam arbitrariedade na prisão de policiais ferroviários.
Os 23 agentes foram presos nesta manhã, na estação de metrô Mangueira, e levados para a sede da Superintendência da PF, no Cais do Apolo, no Recife, onde estão sendo ouvidos. A PF informou que eles foram autuados por porte ilegal de armas.
Os policiais alegam que foram pegos de surpresa. O grupo da Polícia Federal chegou com cerca de 12 homens fortemente armados e prenderam os agentes sem nenhuma explicação.
Durante a tarde, dezenas de policiais ferroviários realizaram um protesto em frente à sede da PF. Eles foram se entregar à polícia para que também fossem presos, já que também trabalham armados e não consideram justa a prisão de apenas uma parte da equipe.
Segundo Edson Lima de Menezes, diretor da Nova Central, e que é integrante da categoria, “não há nenhuma lei que proíba o exercício da nossa profissão com armas. Inclusive participo de comissão nacional que trabalha pela remontagem da Polícia Ferroviária Federal e até já existe lei para essa transição. Vamos à Brasília para reverter essas prisões ilegais e arbitrárias. Também vamos exigir providências imediatas junto ao Ministério Público Federal”, assegurou Edson Lima.
A Polícia Ferroviária Federal tem 158 agentes trabalhando em Pernambuco e mais de 200 servidores aposentados. Ainda não há previsão de quando a categoria voltará a trabalhar.
A Polícia Federal convocou uma coletiva de imprensa para esta quinta-feira (28), quando informou que vai se pronunciar oficialmente. A repercussão das prisões ganhou dimensão nacional e, em outros estados, como São Paulo, funcionários do metrô podem paralisar por falta de segurança.
A NOVA CENTRAL manifesta apoio aos policiais ferroviários federais e considera sem sentido essa ação da Polícia Federal. Está em pleno funcionamento uma comissão bipartite que busca a normalização das atividades da categoria, especialmente com a reorganização da Polícia Ferroviária que exerce atividade fundamental para dar segurança nos metrôs e nos demais serviços de transporte ferroviária.
Também a Confederação Nacional de Trabalhadores em Transportes Terrestres-CNTTT, através do seu presidente, Omar José, considerou que houve uma ação equivocada e exigiu que os trabalhadores presos fossem libertados imediatamente.
Para o presidente da Nova Central, José Calixto Ramos, esse episódio só reforça a necessidade urgente da reorganização da Polícia Ferroviária Federal que, inclusive, é considerada, pela Constituição Brasileira, como uma carreira típica de Estado, tamanha sua importância.