O clima de insegurança no Estado de São Paulo neste ano chegou a índices alarmantes. Fora as mortes de civis que enchem com tintas de sangue todos os dias as páginas dos jornais, o crime arregimentou-se para coagir seu inimigo mais íntimo: os policias.
Segundo dados fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública, até outubro, 81 companheiros da ativa e da reserva foram ceifados em atentados, emboscadas e extermínios, que abriu uma fenda crítica na relação das corporações com o governo estadual.
Não bastassem as condições precárias de trabalho, remuneração deficitária, os profissionais da segurança estão encurralados pelo arrocho da burocracia política dos que comandam os órgãos, além da banda de policiais corruptos que sujam o histórico de trabalho nas ruas.
Este cenário trágico exigia uma resposta, pois a sociedade composta por gente de bem, não poderia se calar diante da barbárie que perigosamente estabeleceu-se.
Por isso, as entidades policiais civis, encabeçadas pela Nova Central São Paulo, organizaram um Ato Ecumênico defronte a Praça da Sé, que serviu para lembrar com respeito dos soldados que morreram em combate e protestar contra o governo ineficaz na promoção do bem-estar social almejado.
Grande símbolo do ato foram as cruzes pretas alinhadas à frente da catedral, que lembram com pesar os policiais mortos pela torpeza do crime organizado e ineficácia do governo local.
No palco que se tornou emblemático das lutas pela democracia, nos tempos de chumbo, o presidente Luiz Gonçalves não poupou críticas a política de segurança imposta pelo governador Geraldo Alckmin.
"O banditismo não pode ser combatido de forma branda descaracterizando o poder de ação dos companheiros na repressão. Este modelo está falido e precisa ser revisto imediatamente", afirmou.
Suas palavras ganharam contundência nas palavras do deputado estadual, Major Olímpio, quando ele cobrou maior valorização dos policiais civis na ativa. "Não temos condições de enquadrar o crime organizado, pois nossos companheiros estão sendo relegados a todo tipo de sorte nos confrontos com os bandidos".
Outro deputado presente, desta vez, Protógenes Queiroz, fez a seguinte observação: "o governo estadual defende quem neste embate de sangue: os bandidos ou seus contribuintes?". "Na ideologia progressista e democrata, pelo qual se veste, as pessoas de bem são protegidas do mal. Aqui em São Paulo, ao contrário, são expostas ao massacre de guerra civil velada", sentenciou.
Para o presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores Policiais Civis da Região Sudeste (FEIPOL/SE), Aparecido Lima de Carvalho, a categoria deve unificar forças para protestar por seus direitos.
"Somos contingente fundamental na ordem social deste Estado, porém, hoje, somos tratados à margem pelo atual governo. Exigimos valor e nossa voz jamais se calará em torno desta causa", disparou.
Ao final do protesto, as lideranças reuniram-se numa assembleia, onde deliberaram aspectos centrais de luta como organização de grupos de representação na Assembleia Legislativa e no Palácio dos Bandeirantes, respectivamente.
"Nossa mensagem foi literalmente propagada pela sociedade, que está conosco nesta luta pela vida. A pressão ganhará mais força para nossas reivindicações que são legítimas", afirmou Luiz Gonçalves.
Fonte: NCST/SP