Centrais sindicais, empresariais e estudantis promoveram na manhã desta quarta-feira (04/04), no pátio da Assembleia Legislativa de São Paulo, o Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego e contra o processo de desindustrialização do país. Além do presidente da Nova Central de São Paulo, Luiz Gonçalves e dirigentes sindicais, participaram também do ato contra a desindustrialização: José Calixto Ramos, presidente da Nova Central Nacional, e Moacyr Roberto Tesch, secretário-geral NCST.
As principais reivindicações são a redução dos juros, controle do câmbio e limitação das importações. Os representantes dos trabalhadores destacaram o esforço do Governo Federal, e deram como exemplo as medida lançada na terça-feira (03/04) de estímulo à indústria, no entanto cobram maior participação dos governos estaduais e municipais e do setor empresarial no incentivo à geração de empregos.
É consenso que o Brasil deve entrar na guerra cambial, a exemplo do que fazem outros países, desvalorizando o Real para aumentar a competitividade externa. Outros dois pontos destacados como entraves ao desenvolvimento e à sustentabilidade são os preços da energia e do spread bancário, diferença entre taxa de captação dos bancos e o cobrado dos clientes.
A inércia do governo federal diante dos maus resultados apresentados pela indústria no país não ficou sem uma resposta à altura do movimento sindical, que mobilizou suas frentes realizando um grande ato na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Mais de 10 mil companheiros das centrais sindicais, entidades filiadas e dos setores da indústria, em voz única, protestaram contra o mal da desindustrialização, que está diminuindo a produção industrial, fechando empresas, aumento o desemprego, enfim, atrofiando perigosamente o desenvolvimento do país.
"O fraco desempenho da economia e o enfraquecimento competitivo de setores produtivos exige uma atuação marcante do movimento sindical. Chegou a hora de o governo promover medidas de crescimento da máquina produtiva, pois a Locomotiva Brasil não pode parar", disse o presidente da Nova Central São Paulo, Luiz Gonçalves.
O governo federal, na oportunidade, foi alvo de críticas das lideranças presentes, sobretudo em virtude do anúncio do pacote de medidas para socorrer a indústria, que foi considerada insuficiente.
"As medidas deveriam atender as necessidades de todos os setores da cadeia produtiva, e não apenas de alguns vistos como estratégicos. Esta iniciativa gera desequilíbrio no processo de integração, haja vista que uns se fortalecem e outros são relegados à sorte", afirmou o presidente da NCST Nacional, José Calixto Ramos.
O diretor de comunicação da entidade, ainda questionou a manutenção da elevada carga tributária, que mantém a indústria fragilizada diante a concorrência. "O incompetência do governo para o gerenciamento de suas contas reflete na manutenção desta vergonhosa carga de impostos, que assaltam nossas riquezas e alimenta a voracidade das importações".
O grande protesto ficou marcado pelo recado dado pela classe trabalhadora, que exige medidas urgentes contra a crise, como: estímulo ao mercado doméstico, estímulo às exportações, fim da guerra fiscal nos portos, abaixo à desindustrialização e corte drástico nos juros.
Fonte: QS Comunicação/ NCST