FMI reduz para 1,4% previsão de crescimento do Brasil em 2018

Data de publicação: 10 Out 2018

Fundo cita greve dos caminhoneiros e dívida pública como razões para o corte. Estimativas para o crescimento mundial também caiu com guerra comercial entre EUA e China.



Greve dos caminhoneiros em maio afetou praticamente todos os setores da economia no Brasil


O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou para 1,4% sua previsão para o crescimento da economia brasileira em 2018. A projeção anterior, de julho, era de expansão de 1,8%. O Fundo considerou o impacto da greve dos caminhoneiros deste ano sobre o setor produtivo. Em abril, a previsão era de 2,3%.

Em relatório divulgado na madrugada desta terça-feira 9 o FMI também reduziu levemente a previsão para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2019, de 2,5% para 2,4%.

O FMI afirmou que, apesar de algumas economias emergentes terem tido melhora de suas perspectivas por conta da alta dos preços do petróleo, o Brasil, a Argentina, o Irã e a Turquia tiveram sua previsão de crescimento revisada para baixo por conta de fatores específicos de cada país, de condições financeiras mais difíceis, tensões geopolíticas e maiores importações da commodity.

Na comparação com o segundo trimestre de 2017, o PIB cresceu 1%, quinto resultado positivo consecutivo nessa comparação. Nos últimos 12 meses a economia registra expansão de 1,4%.

No Brasil, a greve dos caminhoneiros que se estendeu por 11 dias a partir de 21 de maio afetou praticamente todos os setores da economia, especialmente a indústria e os serviços, causando desabastecimento e prejuízo para empresas.

Além disso, o vice-diretor do departamento de pesquisa do FMI, Gian Maria Milesi Ferretti, citou a alta dívida pública e os gastos públicos com a previdência e a aposentadoria antecipada como fatores preocupantes para a economia brasileira.

As revisões das previsões constam na edição mais recente do relatório "Perspectivas Econômicas Globais", apresentado em Bali, na Indonésia, no evento anual da entidade.


Guerra comercial


A piora das perspectivas brasileiras vem acompanhada de expectativas de crescimento mais lento também em nível mundial. O relatório do FMI reduziu a previsão de crescimento da economia global em 2018 para 3,7%, ante previsão anterior de 3,9%, em consequência sobretudo da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e de maiores níveis de endividamento.

A previsão do FMI para o crescimento global em 2019 também caiu em 0,2 ponto percentual para 3,7%. Trata-se do primeiro corte da previsão de crescimento global em mais de dois anos.

A entidade alertou que "todos irão sofrer" com a disputa entre as duas maiores economias do mundo, afirmando que "sem multilateralismo, o mundo se tornará um lugar mais pobre e perigoso".

"Não há dúvida de que a suscetibilidade a grandes choques globais cresceu", disse o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld. "Estratégias comerciais refletem a situação política, e a política permanece instável em vários países, representando riscos adicionais", disse Obstfeld.

A aplicação de tarifas vem se tornando prática comum no governo de Donald Trump, nos EUA, que taxou em 25% importações chinesas no valor de 50 bilhões de dólares. Após essa primeira rodada, o presidente americano anunciou uma lista de produtos da China, no valor total de 200 bilhões de dólares, a serem atingidos por uma nova taxa de importação de 10% e ameaçou tarifar 267 bilhões de dólares adicionais, o que cobriria basicamente todo tipo de exportação chinesa para os EUA. A China respondeu às sobretaxas americanas com medidas idênticas.

Apesar de os EUA terem ficado protegidos até o momento dos impactos da guerra comercial graças a estímulos por meio de cortes de impostos e políticas de gastos públicos, esse efeito deve perder força até 2020, alertou o FMI, que também reduziu sua previsão de crescimento para EUA e China.

"O crescimento está sendo apoiado por políticas que parecem insustentáveis no longo prazo", acrescentou Obstfeld.

Referindo-se ainda a outras incertezas para a economia global, Obstfeld citou a falta de aprovação de acordos comerciais entre EUA, México e Canadá por poderes legislativos, assim como o Brexit. "O multilateralismo precisa evoluir para que seja visto por cada país como um interesse próprio, mesmo em um mundo multipolar. Mas isso requereria apoio político doméstico para uma abordagem colaborativa internacionalmente", escreveu Obstfeld no relatório da entidade.




Fonte: Agência de notícias alemã Deutsche Welle - DW
 

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