Temer confessa que medidas de seu governo engessam gestões futuras

Data de publicação: 8 Ago 2018

Em discurso durante a abertura da 28° edição da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) nesta terça-feira (7), em São Paulo, Michel Temer disse que pouco importante quem será eleito presidente em outubro, pois as medidas que implantou foram para colocar as gestões futuras em uma camisa de força. Em uma prestação de contas ao mercado, ele disse que o futuro presidente eleito será obrigado a continuar as reformas que ele iniciou.





"Não vamos nos impressionar com o momento eleitoral. Todo mundo fala: 'o que pode acontecer'. Nós fincamos estacas, pilares que nenhum governante que venha vai conseguir mudar. Ao contrário, vai ter que continuar com as reformas que nós começamos e não pudemos concluir", bravateou Temer.

Entre as medidas impostas pelo seu governo estão a emenda Constitucional 95, que congela os investimentos públicos por 20 anos, além de cortar verbas das áreas sociais, e a reforma trabalhista que retira direitos dos trabalhadores, aumentando a precarização do trabalho.

Durante a tramitação da medida no Congresso Nacional, diversos parlamentares da oposição apontaram que a emenda era inconstitucional por violar a independência e a harmonia entre os Poderes, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal, e a autonomia administrativa e financeira dos governos futuros.

Por se tratar de medida orçamentária, alguns parlamentares e até magistrados defendiam que ao tema deveria ser tratado por meio de lei ordinária, e não emenda à Constituição, que exige quórum privilegiado de 3/5 em dois turnos para alteração.


Candidatos


"Não pode acontecer nada que modifique aquilo que começamos, vai ter que continuar o que começamos", disse Temer.Durante a pré-campanha, candidatos como Manuela d'Ávila (PCdoB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Crio Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (Psol) afirmaram que, se eleitos, iriam interromper a agenda de reformas de Temer, sendo uma das primeiras medidas reverter os efeitos da reforma trabalhista e da Emenda 95, do teto de gastos.

Manuela, por exemplo, propõe a realização de um referendo revogatório para a reforma trabalhista e da emenda 95, por considerar que oram medidas aprovadas sem debate com a população e, portanto, sem legitimidade.




Fonte: Portal Vermelho, com informações de agências
 

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