Ministro dos patrões defende retirada de direitos para gerar empregos

Data de publicação: 7 Nov 2017

A classe trabalhadora foi golpeada com a reforma neoliberal trabalhista, patrocinada pelos banqueiros, empresários e fielmente apoiada pelo o presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho. Em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo de segunda-feira (06/11), o ocupante do mais importante cargo da Justiça do Trabalho, defendeu ferozmente os interesses dos patrões.

Na ilustre opinião deste magistrado o combate ao desemprego se faz com retirada de direitos sociais e trabalhistas. "Nunca vou conseguir combater desemprego só aumentando direito." Para ele, a Lei 13.467/2017 quebra a rigidez da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e dá segurança jurídica às empresas em um ambiente de novas tecnologias.

De acordo com Nailton Francisco de Souza (Porreta), diretor Nacional de Comunicação da Nova Central, as declarações do ministro Ivo Gandra estão alinhadas com a dos diretores da CNI (Confederação Nacional das Indústrias) e da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), instituições estas que foram linha de frente no lobby feito no Congresso Nacional para aprovar à nova legislação.

Diz que por inúmeras vezes o movimento sindical denunciou que a chamada reforma trabalhista aconteceria com duplo objetivo: arrebentar os sindicatos laborais e exterminar conquistas dos trabalhadores (as). E que estas mudanças significam retrocessos, em benefícios dos capitalistas.

“Num país em que mais da metade da força de trabalho não tem direitos algum, ao invés do governo defender direitos para todos, promove o maior desmonte já feito na CLT. Foram mais de 100 mudanças. Se não bastasse o sofrimento do povo com o desemprego e salário de miséria, o mais lamentável é ouvir de um juiz que somos os culpados pela crise”, diz Nailton.

Perguntado se os encargos trabalhistas colaboraram com a crise, de imediato disse que colaborou. “Um pouco da crise veio exatamente do crescimento de encargos trabalhistas. Para você ter uma reforma que o governo manda dez artigos e sai do Congresso com cem alterados, é porque havia demanda reprimida”, afirmou Gandra.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1933111-e-preciso-flexibilizar-direitos-sociais-para-haver-emprego-diz-chefe-do-tst.shtml
 

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