O governo Temer e a equipe econômica dos sonhos dos banqueiros

Data de publicação: 31 Jul 2017

Ao mesmo tempo em que se cortam direitos sociais e trabalhistas, a despesa pública aumenta mais do que a receita, com o pagamento dos juros do endividamento seguindo praticamente intocável



Governo Temer procura compensar regressão do sistema produtivo com sustentação da mais valia financeira. 



por Marcio Pochmann



O rumo atual da economia brasileira revela o novo normal da reprodução capitalista assentado na substituição dos ganhos de produtividade pela rentabilidade financeira. Em geral, o processo de acumulação de capital encontra-se associado à capacidade de produzir cada vez mais bens e serviços com menos custos desde que acompanhada de sua respectiva demanda. 

Em virtude disso, o conceito de mais valia tenderia a revelar a parcela empresarial retida do valor total da produção expresso pela presença do trabalho humano. Também apontaria a contradição intrínseca do sistema, uma vez que o crescimento da mais valia capitalista motivaria o desenvolvimento das forças produtivas, ainda que desacompanhado das condições necessárias para a sua realização através do consumo em bases nacionais.

A solução desta contradição surgiu a partir da grande Depressão de 1929, quando o avanço da presença do Estado passou a se dar em novas bases. Pela via da tributação da mais valia e de sua redistribuição para o conjunto da população, acrescida da ação dos sindicatos na luta pela repartição dos ganhos de produtividade entre os trabalhadores empregados, a demanda para a produção de bens e serviços passou a ser garantida. 

Essa normalidade no desenvolvimento pode sofrer interrupções quando, por diferentes razões, a produtividade deixa de ser crescente e/ou desaparece a garantia da plena demanda para a produção de bens e serviços realizada. A solução apresentada pela ortodoxia liberal seria a redução simples da presença do Estado por meio da desoneração fiscal, o que deveria contribuir para diminuir a absorção da mais valia pelo fundo público.

Mas isso gera, em contrapartida, o comprometimento simultâneo do rendimento disponível da população para o consumo da produção realizada de bens e serviços. Aprofunda, assim, a contradição capitalista, sem oferecer saída sustentável ao desenvolvimento. 

Da mesma forma, a desoneração do custo da mão de obra aos patrões por meio da desregulação do mercado de trabalho e da flexibilização da contratação permite aumentar a mais valia patronal. Como consequência, observa-se a diminuição do rendimento disponível dos trabalhadores para o consumo, agravando ainda mais a contradição central do desenvolvimento capitalista.    

Em função disso que o neoliberalismo aperfeiçoou a ortodoxia neoliberal, impondo a revisão do papel do Estado, sem diminuir a dimensão do fundo público. Pelo contrário, o que se observa pela trajetória do fundo público em diferentes países é a continuidade do crescimento, em geral das despesas em relação ao Produto Interno Bruto.

Na realidade, destaca-se cada vez mais a recomposição do gasto público, com a ampliação das brechas para o comprometimento com juros do endividamento estatal. Nesse sentido, uma espécie de mais valia financeira passou a valer diante do redirecionamento do fundo público para compensar a queda no dinamismo da produtividade auferida no interior do processo produtivo.

Esse parece o rumo da economia brasileira conduzido atualmente pelo governo Temer que procura compensar a regressão do sistema produtivo através da sustentação da mais valia financeira. Ao mesmo tempo em que corta direitos sociais e trabalhistas, o conjunto da despesa pública aumenta mais do que a receita, com o pagamento dos juros do endividamento praticamente imexível.

Mesmo que a economia permaneça estagnada, a mais valia financeira tende a compensar os baixos lucros derivados da atividade produtiva de bens e serviços. Por mais que sejam reduzidos os custos de produção, o estímulo para a elevação da produção não se apresenta frente à ausência de garantia para que a demanda seja efetivamente uma realidade plena. Ou seja, o rentismo veio para ficar, patrocinado pela equipe econômica dos sonhos dos banqueiros.




* Marcio Pochmann é graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Su (1984) e doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas(1993). Atualmente é Professor Livre Docente da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Politicas Socias e do Trabalho. ​





Fonte: Rede Brasil Atual 

A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

NEWSLETTER
RECEBA NOTÍCIAS POR EMAIL

Receba diariamente todas as notícias publicadas em nosso portal. Após cadastro, confirme sua inscrição clicando no link que chegará em sua caixa de entrada. Confira essa novidade!

SAF-Sul Quadra 02 Bloco D Térreo - Sala 102 - Ed. Via Esplanada - CEP: 70070-600 - Brasília-DF | Telefone: (61) 3226-4000 / Fax: (61) 3226-4004

Back to Top