Reforma Trabalhista: fomos traídos? Não, em absoluto! Fomos derrotados.

Data de publicação: 13 Jul 2017



por Sebastião Soares



Os 50 senadores que votaram pela reforma trabalhista não nos representam e deles não se espera nenhum benefício para a classe trabalhadora. São elementos orgânicos da exploração do capital; são, também, grandes empresários cujas fortunas foram feitas com o suor e o sangue operário, e agora, soltam os seus sorrisos de abutres, comemorando a vitória, fazendo as contas do lucro que vão obter com a reforma trabalhista. 
 
Novos iates, mansões, jatinhos, desvio dos roubos trabalhistas para os paraísos fiscais e mais dinheiro para comprar políticos que continuarão a defender os seus interesses.
 
A derrota no Senado mostra, para quem quiser ver, a essência da luta de classes. Os grandes capitalistas, nacionais e estrangeiros, solidamente unidos para garantir os seus privilégios em detrimento do trágico empobrecimento do proletariado brasileiro, do desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT e a precarização das condições laborais. 
 
Assim, a vitória patronal no Senado e, antes, na Câmara dos Deputados, foi a consequência lógica do confronto de classe. Nós, trabalhadores e trabalhadoras; nós, proletários e proletárias, perdemos uma dura batalha, entre tantas que são comuns no enfrentamento entre capital e trabalho. Resta-nos, neste cenário de terra desolada, recompor as forças e continuar a luta. A força do capital exibiu o poderio das suas armas políticas, um Congresso ao seu dispor e um governo curvado e submetido às suas exigências de lucros e mais valia.
 
Não fomos traídos. Só mesmo a ingenuidade de classe e a conciliação vergonhosa poderiam esperar outro resultado, acreditando em bondosa caridade dos exploradores. Coeso e fortalecido com o golpe do impeachment, o mundo do capital deu as cartas e bancou o jogo. 
 
Uma exibição de força do mesmo poder do dinheiro que põe e tira governos, elege e manda nos parlamentares subservientes às suas ordens, compra e controla juízes definindo sentenças, detém o monopólio absoluto dos meios de comunicação, manipula e ordenha a opinião pública, incluindo, entre esta, uma grande parcela da classe trabalhadora, cooptada e alienada às narrativas dos seus próprios dominadores. 
 
Os patrões capitalistas, proprietários dos meios de produção e compradores da força de trabalho a preço vil, nunca serão aliados do mundo do trabalho, pois, eles servem a um único deus: o dinheiro, e se curvam em um único altar: o mercado. Por isso não fomos traídos. Fomos derrotados. 

Com esse Congresso que aí está, deu a lógica possível e ficou a lição: se o movimento sindical, rural e urbano, em aliança com os movimentos populares, com os setores democráticos e progressistas e com o campo da esquerda, não for capaz de alterar a presente correlação de forças políticas nos governos e nos parlamentos, em especial no plano federal, estaremos condenados a outras derrotas. Nesse entendimento o ano de 2018. 
 
Exige-se, mais do que nunca, o vínculo permanente com as bases, o retorno às mobilizações e o permanente enfrentamento com o poder do capital. Neste sentido, a posição de classe deve prevalecer sobre os discursos da harmonia e da união, acreditar na pacificação da Nação para eleger Rodrigo Maia presidente é oportunismo carreirista ou traição de classe. Acreditar em bondades de Michel Temer para amenizar efeitos da Reforma é querer curar a ferida aumentando a sangria. 
 
O momento é outro, reconhecer a perda e preparar novas batalhas. Há muito a fazer, com o princípio de guerra sem tréguas à exploração do capital com a máxima unidade do movimento sindical. Pôde-se partir para questões concretas, a luta por um referendo derrogatório da Reforma Trabalhista e a autorregulação da organização sindical brasileira, por exemplo.
 
São caminhos imediatos, enquanto respostas urgentes ao massacre imposto sobre direitos trabalhistas e sindicais. Nenhuma trégua aos abutres que destruíram a CLT e romperam o pacto civilizatório, mesmo precário, que ainda existia nas relações de trabalho no Brasil. Perdemos a batalha, mas a guerra não acabou. 
 
Por isso, só podemos dizer, com a história na mão, que, se nos arrancam cem flores, outras mil renascerão. Com o nosso esforço coletivo e unidade na luta seremos capazes de manter a esperança por uma nova primavera, na qual, com as nossas ações, seremos capazes de resistir, avançar e garantir nenhum direito a menos.




* Sebastião Soares é Diretor Nacional de Formação Sindical da Nova Central Sindical de Trabalhadores - NCST





Imprensa NCST

A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

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