Temer se segura no empresariado; Serraglio está no lugar errado

Data de publicação: 2 Maio 2017

O governo Temer sabe que ficou mais difícil aprovar as reformas trabalhista e previdenciária, mas não tem outro caminho. Se abandonar os projetos, o presidente Michel Temer perderia sustentação no empresariado e no mercado financeiro.

De acordo com o Datafolha, a gestão Temer tem índices de popularidade baixos e semelhantes ao da administração Dilma pouco antes de o impeachment ganhar força. A diferença é que Temer ainda mantém o apoio do empresariado e do mercado financeiro, algo que Dilma perdeu no começo de 2016 e que foi fatal para o desfecho do impeachment.

O Datafolha mostrou que 71% se opõem à reforma da Previdência. É provável que o governo adie a votação do relatório de Arthur Maia na comissão especial da Câmara, o que estava previsto para esta semana. Isso daria tempo para buscar os votos no plenário que ainda não possui e para fazer nova investida de comunicação a fim de tentar explicar a reforma à população.

Ao adiar a votação, o risco é permitir maior pressão por mudança, como a redução do tempo mínimo de contribuição de 25 anos para pedir aposentadoria. Esse ponto prejudica os trabalhadores mais pobres, que deverão ter dificuldade para comprovar tal período de contribuição. Assim, ficariam sem aposentadoria.

A greve de sexta e as manifestações de ontem deixaram claro para o governo que a batalha da Previdência será duríssima na Câmara e que há risco para a trabalhista no Senado.

Rumo ao Planalto

Há três principais destaques na pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial publicada no fim de semana.

O primeiro deles é o fenômeno Jair Bolsonaro, que chega a um patamar em torno dos 15% nos diversos cenários entoando um discurso homofóbico, racista, contrário aos direitos humanos e inconsistente do ponto de vista econômico. Mas o fato é que o deputado federal do PSC do Rio cresceu e dá voz a um segmento de extrema direita que vem aumentando no Brasil.

Esse desempenho de Bolsonaro é resultado direito da crise do PSDB, que radicalizou o discurso rumo à direita e acabou vítima da Lava Jato. As acusações contra o governador Geraldo Alckmin e os senadores José Serra e Aécio Neves tornam improvável que um dos três seja candidato a presidente pelo PSDB no ano que vem.

E tornam provável que os tucanos tenham de embarcar no projeto presidencial do prefeito João Doria, que teria de disputar votos com Bolsonaro. Doria já faz um discurso para atrair esse eleitorado. Não perde chance de criticar Lula, muitas vezes partindo para o puro xingamento.

Ao jogar flores no chão, que recebeu de ciclista que protestava contra o aumento de mortes nas marginais, e ao chamar grevistas de vagabundos, Doria faz discurso parecido com o de Bolsonaro. Isso é preocupante, porque ajuda a rebaixar o debate público e a elevar a intolerância na sociedade.

O terceiro destaque é a força do ex-presidente Lula, que lidera as intenções de voto no primeiro turno, apesar do imenso bombardeio da Lava Jato. O mau desempenho econômico e a baixa popularidade do governo Temer ajudam o petista, que é lembrado por parte do eleitorado como um presidente que fez o Brasil crescer e gerar emprego.

No entanto, o carimbo da corrupção gera rejeição de parcela do eleitorado que mostra que não seria fácil vencer no segundo turno. Logo, além do discurso econômico, Lula precisa ter respostas à Lava Jato para manter as condições de elegibilidade e de competitividade em 2018.

No lugar errado

No domingo, houve um ataque a índios no Maranhão que deixou mais de dez feridos. Pelo menos um deles, teve decepada parte dos membros superiores.

Esse ataque fruto de disputa de terra, foi um massacre. É injustificável e demanda resposta firme da Polícia Federal e do governo, algo que o atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio, não demonstra ter capacidade para fazer diante desprezo com que trata índios e sem-terra.

Serraglio tem sido um verdadeiro desastre à frente da pasta da Justiça. Na sexta, errou ao dizer que foi pífia uma greve que teve expressão. E vive acuado no ministério por causa das suspeitas da Operação Carne Fria.

No entanto, nada é pior do que o despreparo do ministro em relação às questões indígenas e fundiárias.

Por: KENNEDY ALENCAR CBN
 

A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

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