Declarações absurdas do ministro da Educação sobre o programa Ciência sem Fronteiras

Data de publicação: 26 Jul 2016


Fala-se o que quer e a imprensa brasileira, por preguiça, desinformação ou desejo de promover o conflito, reproduz essas falas e garante a elas o eco necessário para entortar de vez a opinião pública. As declarações do ministro da Educação sobre o programa Ciência sem Fronteiras não só foram absurdas, como caluniosas e difamatórias.
 
O ministro disse que os alunos de graduação eram enviados para o exterior, mas para universidades/cursos de terceira linha e com o valor dessas bolsas o país conseguiria formar mais alunos em universidades privadas brasileiras.
 
Jornalismo declaratório é isso aí, a fonte fala, você faz olho de surpresa (como personagem de novela), achando o máximo o que a fonte revelou, e simplesmente transcreve esses discursos, sem nenhuma apuração, afinal de contas, neste caso, era uma autoridade - jornalista se sente seguro diante de fontes oficiais, de autoridades.
 
Jornalismo não-declaratório, ou simplesmente jornalismo e não brincadeira de casinha, é aquele em que o jornalista resolve divulgar o nome dessas universidades de terceira linha e mostrar que elas estão entre as melhores do mundo, com os seus laureados com o Nobel, com reconhecimentos no campo da ciência, com laboratórios funcionando a todo vapor porque dispõem do mínimo que um pesquisador necessita para desenvolver seus projetos.
 
Jornalismo não-declaratório é aquele que investiga quanto de dinheiro público foi repassado nos últimos governos para a iniciativa privada produzir diplomas que não são reconhecidos ou respeitados nem mesmo dentro do Brasil.
 
Raras exceções, muitas universidades privadas em todo o país venderam sonhos do diploma para estudantes das classes C e D, sustentadas no discurso vazio de empoderamento pelo ensino superior. Isso demanda investigação sobre o ciclo de vida do dinheiro público nessas máquinas de produção de diploma instaladas de Norte a Sul do país.
 
Sem status e sem reconhecimento no mercado de trabalho, esses diplomas mais têm enriquecido os donos das universidades do que, de fato, empoderado os jovens mais pobres.
 
O jornalismo declaratório não é apenas pobre em informação, ele é perigoso porque esconde da sociedade as envergaduras dos fatos e a dimensão da realidade.
 
Por ora, gostaria muito de ver as instituições científicas internacionais, sediadas no Brasil, responderem à altura.
 
No começo deste mês, vimos a diretoria da SBPC marcar seu território como instituição que representa a comunidade científica nacional e resgatar seu papel na história, inclusive em tempos politicamente nebulosos, como o período da sua criação e este do golpe.
 
Ciência não pode ser dissociada de política, até porque dependemos de políticas públicas para a nossa sobrevivência.
 
O silêncio dessas instituições pode deixar a fala do ministro, reproduzida redondamente na imprensa, como a única versão dos fatos.
 
Cilene Victor: Professora na Faculdade de Comunicação na Cásper Líbero
 


A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

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