Não é possível distinguir o que é crise econômica do que é crise política

Data de publicação: 3 Mar 2016

A economia é uma ciência social e, nesse sentido, não há que se dizer que esse governo errou. Trata-se, sim, de constatar que a correlação das forças políticas, levou a esse momento que vivemos. Desse modo, Rosa Maria Marques enfatiza que todos aqueles que se preocupam com os trabalhadores, todos aqueles que militam no grande campo da esquerda, em suas diversas facetas, deveriam ter se concentrado “na defesa do emprego e da renda”. O que não ocorreu.

“A crise será longa”, continua ela. A crise de 1929 começou com uma queda abrupta nos preços das commodities, como hoje. “Não é só a queda da taxa de crescimento da China”, a economia mundial tem tido crescimento medíocre há anos. A crise que vemos hoje no Brasil é “a crise que havia sido impedida, que não se deixou escancarar em 2013/2014”, com medidas do governo de estímulos ao consumo e ao investimento.

Claramente, para ela estamos diante de uma crise cíclica do capitalismo, como tantas já verificadas na história. Uma crise que não se encerra em 2008, na crise do Euro ou na redução do crescimento chinês, mas a conjunção de todos esses eventos em uma crise do capitalismo, sob a hegemonia do pensamento econômico neoliberal.

Sua opinião sobre a disputa política é que a direita busca “completar o que ficou no meio do caminho desde o governo Lula”. A reforma da previdência não se completou, tampouco a privatização e o amplo acesso dos estrangeiros ao Brasil. “O interesse não está no SUS ou no Regime Geral da Previdência Social, mas na ruptura com a Constituição de 1988 na questão dos direitos sociais”.

Marques acredita que “Lula e Dilma servem a dois senhores”. Tentaram manter os ganhos das elites e, ao mesmo tempo, diminuir a desigualdade social. Mas no momento em que o conflito se acirra a balança pende para o lado economicamente mais forte. Por isso assistimos “a continuidade do que parou após Fernando Henrique Cardoso”.

É fácil fazer coalizão de classes com crescimento econômico vigoroso. No entanto, quando a crise econômica se instala, essa coalizão se desfaz e, nessa luta, o poder econômico sai vencedor, para retomar sua agenda conservadora interrompida.

“As perspectivas são as piores possíveis. Não vamos convencer quem está do outro lado. A derrota não será uma derrota do PT. Será uma derrota da esquerda”. Contudo, nesse ambiente de esgarçamento do tecido social, o outro lado também está sem saída: “os neoliberais são contraditos pelos fatos. Tudo que eles defendem não acontece. Mas teremos perdido a oportunidade”, conclui ela.
 

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