"Não é o corpo que dói"

Data de publicação: 1 Dez 2015


Há, neste momento, pelo menos uma dezena de escolas ocupadas em São Paulo. Ocupadas pelos próprios alunos, é bom frisar, com a solidariedade de professores e funcionários. Ocupadas em protesto contra o projeto de desmonte da educação básica do Estado (com o fechamento de 94 escolas), nomeado de reorganização do ensino pelo governo do Estado.

O que os estudantes querem, antes mesmo de garantir a função social de suas escolas, para que continuem sendo espaços de aprendizado, é que haja diálogo. O governador Geraldo Alckmin e o secretário estadual de Educação até o momento não se dispuseram a dialogar, nem visitaram os colégios ocupados. A opção foi pela reintegração de posse, pela Polícia Militar, adiada no dia seguinte, em razão da pressão exercida pela própria classe estudantil e apoiada por movimentos sociais, como a CUT e a Apeoesp.

Mesmo assim, o fim de semana foi de violência em muitas escolas. Quem passou na quinta-feira passada em frente à escola Fernão Dias Paes, em Pinheiros, se surpreendeu com a quantidade de policiais cercando o local. Mas foi na periferia que a truculência se manifestou de forma inequívoca, com invasão de escola pela polícia e professores agredidos.

Este vídeo mostra o momento em que o professor de História Edivan Costa, da escola José Lins do Rêgo, no Jardim Ângela, é imobilizado e algemado após ter sido golpeado e derrubado por agentes da PM. Dentro da escola. De lá, saiu preso, num carro da polícia, como se fosse criminoso, logo ele que esteve ali para garantir que o maior patrimônio público de uma povo, a educação, não sofresse nenhum tipo de dano ou vandalismo.

Reproduzo abaixo a importante mensagem, de solidariedade e esperança, contra o retrocesso e o obscurantismo, postada pelo professor em seu Facebook:
 
Não é o corpo que dói
Não são os braços marcados pelas algemas
Não é a cabeça inchada pelos golpes ...e nem é a dor da vergonha  por sair algemado como um criminoso num carro da polícia ...algo que em tempos que o tempo não me deixa esquecer, prometi aos meus pais que jamais aconteceria.

Minha revolta nem é contra a PM  ...contra policiais, trabalhadores que se vêem convertidos a engrenagens de um sistema cruel que converte trabalhadores em algozes de trabalhadores.
Minha dor é a dor que corrói as entranhas de uma sociedade doente , onde defender o justo , o correto , o digno e o óbvio constitui um crime.

Não invadi a escola
Não destruí uma ponta de lápis do patrimônio público
Não estimulei violência de qualquer natureza
Não me satisfez ver sangue num espaço que deveria estimular sonhos .
Amo a profissão que abracei
Amo a possibilidade de dialogar com vidas de estimular seus potenciais, seus sonhos e seu desejo inalienável e sagrado de ser feliz.
Há tão poucas décadas reconquistamos o direito a voz que pode dizer ...
Há tão poucas décadas nossas escolas puderam provar o gosto doce da liberdade , da criticidade e do debate democrático.

Que a nossa geração não permita que isto morra ...que escolas sejam espaços de diálogo , de debate, de tensões (a unanimidade é perigosa) ...que a comunidade escolar (estudantes , professores e gestores) possam construir ...e construção meus amigos , não é silêncio, não é cerceamento, não é intimidação.

O que me dói, de verdade ...no corpo e na alma ...é ser um educador , num estado em que a educação pública agoniza ...e se debate em medidas paliativas, implementadas de forma unilateral e autoritária.

Agradeço imensamente a todos que de um modo ou de outro externaram apoio e solidariedade num momento tão difícil
Agradeço o carinho de colegas, país e estudantes que tanto amo !!

Que o retrocesso e o obscurantismo não encontrem morada nestes dias em que fomos agraciados com a vida!
Muito Obrigado ! Estou bem e em casa. Vida que segue ...luta que não pode retroceder!
 


A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

NEWSLETTER
RECEBA NOTÍCIAS POR EMAIL

Receba diariamente todas as notícias publicadas em nosso portal. Após cadastro, confirme sua inscrição clicando no link que chegará em sua caixa de entrada. Confira essa novidade!

SAF-Sul Quadra 02 Bloco D Térreo - Sala 102 - Ed. Via Esplanada - CEP: 70070-600 - Brasília-DF | Telefone: (61) 3226-4000 / Fax: (61) 3226-4004

Back to Top