​Devastação do cerrado se acentua através de políticas predatórias

Data de publicação: 28 Jan 2015

 
Para o Diretor Nacional de Formação da Nova Central, Sebastião Soares, o Cerrado brasileiro passa por um processo inexorável de destruição massiva e rápida, desde a década de 1970, que em pouco mais de 30 anos já se contabiliza perda de cobertura vegetal natural acima de 60%.
 
Em sua opinião, a culpa por essa devastação é, em primeiro lugar, do governo brasileiro, com políticas predatórias de incentivo para a ocupação da região através da agricultura comercial, transformando o Cerrado em uma área de produção de commodities agrícolas, principalmente soja.
 
Garante que essa ocupação destrutiva se dá pelo fato das terras serem mais baratas, propiciando lucros elevados ao agronegócio. Por isso, conforme pesquisa do IBAMA, cerca de 70% do Cerrado já foram profundamente modificadas com voçorocas, assoreamento e envenenamento dos ecossistemas. Restam pouco mais 20% de área em estado conservado. Porém, outros pesquisadores apontam que restaria algo em torno de 7% da área original desse bioma.
 
“Vários estudos confirmam que é impossível pensar uma ocupação sustentável do Cerrado para produção de monocultivos, pois não existem monocultivos sustentáveis. Na verdade são ocupações predatórias que impactam o meio ambiente, destroem nascentes e pequenos rios, prejudicam as populações tradicionais, quilombolas e indígenas, expulsam grandes contingentes humanos para as áreas urbanas enquanto os altos lucros beneficiam apenas os donos do agronegócio” afirmou Sebastião.
 
Aponta o cultivo de monoculturas de grãos como, por exemplo, de soja e de milho, e a intensificação das pastagens, que surge desde o Século XVIII, com o esgotamento do ciclo do ouro, como práticas nocivas, por produzirem a substituição de espécies nativas altamente invasoras. E que por outro lado, o tipo de “exploração comercial” do bioma é ruim para a população da região, dado que a “absorção de mão de obra” é insignificante.
 
Para Sebastião, a topografia da região favorece o uso intensivo de mecanização, mediante a correção do solo com toneladas de agrotóxicos e pesticidas que afetam as nascentes e as águas subterrâneas.  “Há uma grande evasão das populações, expulsas pelo crescimento da área dos monocultivos nas quais a quase totalidade dos recursos empregados, cerca de 96%, destinam-se à compra de insumos, máquinas e equipamentos. Com isso, apenas 4% representam gastos com mão de obra rural”, relatou.
 
“Portanto, as atividades produtivas do agronegócio não geram emprego, ao contrário, afasta a população da região, segrega a população indígena a diminutos espaços onde morrem lentamente de fome e de endemias, cercados de plantio de soja ou por pastagens por todos os lados. Esses povos, na verdade, foram enxotados das suas terras sem nenhuma compensação, passando a engrossar a miséria social nas cidades”, ponderou.
 
Lamentou profundamente que mesmo com a devastação do meio ambiente e da tragédia social sobre a população da região, a fronteira agrícola do Cerrado continua em expansão, com o apoio e incentivo do governo federal, sócio e cúmplice desse crime ambiental.
 
“Atualmente, extensas áreas no Piauí, no Maranhão, em Tocantins e no Mato Grosso são invadidas pela plantação de soja, já na interface com os biomas da Caatinga e da Amazônia, provocando impactos sociais desastrosos, decorrentes da devastação ambiental e do modelo econômico de exploração predatória.
 
É preciso destacar que o Cerrado detém cerca de um terço da biodiversidade brasileira, sendo o nascedouro de águas que formam as três grandes bacias hidrográficas do país: Amazônica, São Francisco e Paraná-Paraguai. Há algumas manchas de preservação, mas que não evitam a contaminação, como ocorre, por exemplo, com as nascentes do rio Xingu, devastadas com o plantio de soja.
 
Na região de Balsas, no sul do Maranhão, e na região de Uruçuí, no sul do Piauí, o processo é devastador com o uso do velho sistema de preparação da terra através do ‘correntão’, em que potentes tratores de esteira, unidos, arrastam uma corrente que arranca toda a vegetação nativa. Essa prática impede qualquer ação de preservação de nascentes ou espécies vegetais e animais ameaçados de extinção. Não se preserva nada, tudo é arrastado interesse do máximo lucro de poucos.
 
Há necessidade urgente e imediata de ações efetivas por parte do governo no sentido de contar o avanço predatório da monocultura para outras áreas, além do que já foi desmatado. Que a exploração agrícola se mantenha na chamada fronteira interna onde há áreas sem utilização”, recomenda.
 
Preocupado com futuras gerações, chama a atenção sobre a legislação ambiental brasileira, que infelizmente, facilita a tragédia ambiental e social. Alerta também, que não bastam políticas públicas para conter o problema, pois não há lei que impeça o desmatamento nas propriedades, dentro dos limites legais.
 
“É preciso à articulação da sociedade, dos movimentos sociais, do movimento sindical para que o Cerrado não desapareça com as graves consequências que vão decorrer. Só a grande união de esforços e de mobilização poderá impedir a devastação total do bioma, preservando o interesse de todo a sociedade, transformando-o em patrimônio nacional com a aprovação da PEC 504\2010”, finaliza Soares.


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