Grécia: trabalhador público e o presente de grego do FMI

Data de publicação: 19 Jul 2013

(*) Por Wagner Rodrigues


A utilização ardil de um cavalo de madeira, na guerra contra Tróia, virou metáfora de como é temerário aceitar “presentes” do inimigo. Hoje, o povo grego percebe que a receita econômica ofertada pelas autoridades financeiras internacionais para Grécia, esconde em seu ventre a insensatez cruel e injusta. A história repete a lenda, dessa vez, contra o povo grego. 

A crise financeira do capitalismo na Europa agrava cada vez mais a situação social das trabalhadoras e trabalhadores públicos na Grécia, considerada o berço da democracia. A população está exaurida após anos de forte contenção de despesas, redução de salários e demissão de funcionários públicos. Com o desemprego em níveis de pós-guerra, trabalhadores gregos com escolaridade e capacitação se encontram na situação de vasculhar o lixo em busca de comida.

As autoridades gregas, supostamente sérias, exigem cada vez mais sofrimento do povo. Mergulhados em uma crise sem precedentes, a Grécia vive uma fase política conturbada, em que a população está nas ruas protestando contra o conjunto de medidas de austeridade aprovadas nos últimos pacotes financeiros baixados pelo governo. 

A Grécia, como membro da zona do euro desde 2001, é forçada a submeter-se à UE – União Européia - que exige a aplicação de medidas apresentadas pelo FMI – Fundo Monetário Internacional - e o BCE – Banco central Europeu, a fim de evitar a moratória. Na troca da ajuda financeira para estancar a crise que assola o país desde 2007 a comunidade européia e o FMI provocam soluções conturbadas como reforma fiscal, privatização do setor energético, vendas de ativos estatais, congelamento de 50% dos salários dos trabalhadores públicos, aumento da idade mínima da aposentadoria, redução salarial dos aposentados, etc.

A crise do capital, aliada a esses fatores, tem elevado o número da taxa de desemprego, que hoje é de 26,8%, deixando para trás somente a Espanha. A população sofre com a recessão, além de ter seus direitos sociais suprimidos pelo governo devido à diminuição dos investimentos impostos pela comunidade financeira européia na área social, notadamente em saúde e educação.

Como se não bastasse a situação política, econômica e social calamitosa que o país atravessa, agora o governo, para receber mais um pacote financeiro, adota a medida extrema de demitir cerca de 25 mil trabalhadoras e trabalhadores públicos. É uma insensatez cruel e injusta. Cortes selvagens nos serviços públicos essenciais e na ajuda aos necessitados prejudicam as perspectivas de um ajuste bem sucedido no país.

A medida liberal de diminuição do papel do serviço público, considerada como incremento na austeridade adotada pelo governo grego, tem aumentado o sofrimento da população que perde consideravelmente a condição de usuária do sistema público, como saúde, educação, transportes e outras áreas vitais para a sociedade grega. Esse estado temerário de desgoverno está deixando a sociedade grega numa situação semelhante à calamidade pública, principalmente no setor da saúde.

Além da saúde, o projeto de desmonte do serviço público na Grécia será um fator preponderante para o empobrecimento cultural das futuras gerações, pois o ataque ao setor de educação é agressivo e de uma única tacada o governo demitiu quatro mil trabalhadores, profissionais da educação. 

A Grécia precisa urgentemente adotar medidas para frear o desemprego, através de um pacto social combinado com política de apoio macroeconômico, a fim amenizar a crise e dar sustentabilidade social ao conjunto da classe trabalhadora e não desacelerar o crescimento com medidas de proteção ao capital. O sistema econômico e social injusto grego é o ponto fraco que deve ser atacado. Afinal, os gregos sabem que a mesma história que popularizou um cavalo de madeira, também imortalizou o ponto fraco do que parecia imortal, um calcanhar de Aquiles. O calcanhar de Aquiles da crise grega é o próprio sistema e a saída para a situação de barbárie deve ser buscada fora da receita liberal de sacrifícios, privatizações e cortes de benefícios.

(*) Diretor nacional de Assuntos Municipais CSPB - Confederação dos Servidores Públicos do Brasil e Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto.



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