Confederação dá início à distribuição estadual das Cartilhas dos Frigoríficos

Data de publicação: 17 Jul 2013

A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins) lançou no último sábado (13/7), a Cartilha dos Trabalhadores do Setor Frigorífico no Estado do Rio Grande do Sul (RS). A iniciativa dá início à distribuição estadual após lançamento nacional em maio, em São Paulo. Na ocasião, a CNTA Afins anunciou a participação da entidade na comissão tripartite de fiscalização do cumprimento da Norma Regulamentadora n° 36 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e apresentou pesquisa recente do Dieese sobre o Perfil dos Trabalhadores das Indústrias de Carne. O evento foi realizado no município de Hulha Negra, que inaugurou a subsede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bagé e Região (RS). O RS ocupa o quarto lugar no Brasil em número de trabalhadores, com aproximadamente 52 mil pessoas. Santa Catarina será o próximo Estado a receber a visita da confederação, prevista para o próximo dia 19, em Chapecó.

 

Artur Bueno de Camargo, presidente da CNTA Afins, destacou a importância da participação do movimento sindical na defesa e na evolução dos direitos da classe trabalhadora no país. Ele comentou a recente onda de protestos enfrentada pelo Brasil e defendeu a mobilização dos sindicatos profissionais na defesa dos direitos dos trabalhadores e no combate de abusos por parte das empresas. A nova regulamentação dos frigoríficos está em vigor desde 19 de abril e exige, entre outros pontos, períodos de concessão de pausas térmicas e ergonômicas para os trabalhadores nas indústrias frigoríficas, que somam mais de 400 mil atualmente.

 

"Talvez esses estudantes não saibam exatamente a política que eles querem para o futuro, mas uma coisa tenho certeza: eles sabem o que não querem e deixam claro que não querem esta atual política inoperante. E aí entra o movimento sindical com suas propostas. Precisamos fazer prevalecer que o dinheiro público seja investido naquilo que é necessário. Tenho percorrido esse país a fora, conversado com muitos trabalhadores da ativa e dirigentes sindicais, e tenho certeza que estamos dando uma grande volta em relação à consciência política do cidadão. Só teremos representações dignas quando realmente toda a sociedade tiver consciência do valor do seu voto ao eleger seu representante.“, incentivou.

 

A CNTA Afins chegou a realizar, em 2011, uma manifestação na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para pedir melhorias das condições de trabalho para o setor frigorífico. No RS, a entidade participou da criação de importantes pesquisas para o setor, como a elaboração dos projetos P.I.S.T.A. – Pesquisa Integrada sobre Saúde do Trabalhador Avícola (2005); A.L.E.R.T.A. - Atenção às Lesões por Esforço Repetitivo dos Trabalhadores da Alimentação (setor bovino/ 2007) e T.E.I.A.S. – Tecendo Estratégias Integradas de Ação em Saúde (setor bovino/ 2010).

 

Para Luiz Carlos Cabral, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bagé e Região (RS) a instalação da subsede do sindicato para o munício de Hulha Negra significa descentralização e facilidade de acesso dos trabalhadores aos seus direitos. Na ocasião, o dirigente do sindicato que sediou o lançamento da Cartilha dos Trabalhadores do Setor Frigorífico no RS homenageou a CNTA Afins com a entrega de um quadro que traz mensagem de agradecimento à entidade pela trajetória sindical de sucesso em nível nacional, principalmente com a conquista da NR 36.

 

“A importância desta cartilha é imensa e é uma grande vitória dos trabalhadores das indústrias de Alimentação e, em especial, da própria CNTA por ter empreendido essa grande luta para chegarmos aonde se chegou com a conquista da NR 36, trazendo proteção ao trabalhador da indústria frigorífica, onde o adoecimento é muito grande. A partir do momento em que os trabalhadores começarem a ler e analisar a cartilha, eles vão começar também a ver de que forma irão cobrar da própria chefia e sindicato uma atuação para que a NR seja cumprida.”, diz.

 

Representando a prefeitura do Município de Hulha Negra, Jefferson Alves, secretário de Assistência Social do órgão, afirmou que o lançamento estadual do material no município é motivo de vitória e orgulho. Ex-trabalhador em indústria frigorífica por cinco anos, ele avalia que tanto a nova sede sindical dentro da região como a iniciativa da cartilha (com 208 páginas) servirão de incentivo para que os trabalhadores busquem melhores condições de trabalho.

 

“Ficamos orgulhosos de o lançamento ter sido em nosso município, que dará uma seguridade maior aos funcionários ao procurarem seus direitos e espero que seja de grande valia para todos.”, avaliou.

 

Demissões em massa na Marfrig

 

Ao longo do evento, sindicatos profissionais da Alimentação no Estado do RS criticaram demissões em massa no frigorífico Marfrig e denunciaram a falta de contrapartida social do BNDES ao fazer empréstimos para indústrias frigoríficas sem nenhuma contrapartida. Segundo Gaspar Ubiratan Silveira Neves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de São Gabriel (RS), mais de 400 trabalhadores foram demitidos pela Marfrig na unidade de São Gabriel.


“O frigorífico Marfrig, em 2008, chegou a ter mais de mil trabalhadores na indústria. Em março desse ano tinha mais de 700. Foram demitidos mais de 400 trabalhadores. No primeiro momento eles alegaram falta de matéria prima, mas com empréstimos do BNDES, que também é acionista, e contando com incentivos do programa Agregar Carnes do governo do RS, vimos que o que aconteceu não foi isso.”, denunciou.

 

“Tentamos negociar e não conseguimos, e agora iremos tomar providencias jurídicas. Fizemos uma audiência pública na Assembleia Legislativa com todos os sindicatos do Estado e também na última segunda (8/7), em São Gabriel. Mais uma vez a empresa não compareceu para dizer alguma coisa nem dar explicação à respeito das demissões e do que vem ocorrendo no grupo Marfrig”, completou.  

 

Depoimentos de sindicatos do RS

 

“A iniciativa da confederação em produzir esta grande quantidade de cartilhas é sem dúvida muito relevante porque a norma, desde o momento em que ela é publicada até passar a fazer parte da realidade dos trabalhadores, há um espaço de tempo que devemos encurtar. Acho que a cartilha contribui com isso porque o próprio trabalhador irá se apoderar daquele conhecimento e vai poder cobrar do seu patrão e denunciar ao sindicato aquelas situações que não estão sendo respeitadas. Para Pelotas, a principal necessidade dos trabalhadores são as pausas ergonômicas. Há grande quantidade de trabalhadores com lesões por esforços repetitivos, problemas de coluna e saúde mental.”

 

Lair de Mattos

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Pelotas (RS)

 

“No meu ponto de vista como sindicalista o lançamento no RS é de fundamental importância para nós, que fizemos um trabalho há um tempo atrás (TEIAS e ALERTA), e acho que isso é uma consequência. E agora, com esse trabalho que a CNTA está fazendo com a distribuição e orientação aos trabalhadores vai ajudar a fazer com que se preserve essa questão dos trabalhadores nas dificuldades que se tem em doenças ocupacionais, principalmente aqui em nosso Estado. O Alegrete é meio abandonado e sempre foi nessa questão de assistência aos trabalhadores, no sentido de fora e não do sindicato. A expectativa (em relação à NR 36) é muito grande, se tratando de um frigorífico que está aqui há dez anos (Marfrig) e com vários trabalhadores, principalmente com doenças ocupacionais e outras questões que são fundamentais na vida dos trabalhadores. Alegrete hoje está com 600 trabalhadores em sua base e temos mais de 100 trabalhadores em laudo, ou seja, uns com doença ocupacional, e outros com acidentes de trabalho.”

 

Marcos Antonio Rosse

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Alegrete (RS)

 

“O lançamento da cartilha para o Estado do RS é importante para mostrar que os trabalhadores do setor de frigorífico sempre tiveram um serviço penoso, um serviço aonde eles têm vários problemas de saúde, tanto ocupacional como de pressão pelo trabalho. É uma forma de fazer com que as empresas apliquem essa regulamentação (NR 36) para que os trabalhadores tenham mais condições de trabalho e saúde, e até uma melhor produção para a empresa, no sentido dele ter mais condições de saúde, de trabalho e com pausas que é uma coisa que o trabalhador reclama muito no setor de frigorífico.

 
Gaspar Ubiratan Silveira Neves
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de São Gabriel (RS)

Fonte: cntaafins.org.br 



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