A ValeInco e o United Steel Workers (USW), sindicato dos mineiros de Sudbury e Port Colborne, no Canadá, assinaram ontem um memorando de acordo para por fim à paralisação que já dura quase um ano. Os termos firmados entre a empresa e a entidade seguem para votação dos trabalhadores hoje e amanhã. Na sexta-feira, o Ontario Labor Relations Board (OLRB), órgão regional do governo canadense que arbitra sobre a lei laboral na província de Ontário, vai ouvir as partes sobre a recontratação de nove trabalhadores demitidos durante o protesto.
A questão da reintegração dos mineiros grevistas é a única que ainda não foi solucionada. Os pontos econômicos envolvendo pagamento de bônus e plano de previdência já foram alvo de acertos. Nem a ValeInco nem o USW estão abrindo ou comentando qualquer detalhe sobre a tentativa de acordo, incluindo os empregados dispensados durante a paralisação. Cory McPhee, diretor de comunicação da ValeInco, disse que não está sendo disponibilizado nenhum detalhe do memorando, incluindo aí as demissões dos empregados. “Os detalhes serão apreciados primeiro pelos grevistas”, disse.
Comunicados sobre o memorando de acordo foram divulgados pela Vale e pelo USW. Na opinião de analistas do setor de mineração, se a greve dos mineiros canadenses acabar pode ser bom para a Vale. Dependendo do ritmo de retomada da produção, a companhia poderá produzir neste ano 90% da capacidade nominal da ValeInco. Os negócios com o metal podem atingir uma participação de 6% a 7% no Lajida (lucro após juros, impostos, depreciação e amortização) da Vale em 2010, dependendo de outras variáveis como o preço do metal e do minério de ferro. O mercado prevê um Lajida de US$ 35,5 bilhões para a Vale este ano.
A Vale adquiriu a mineradora canadense Inco em 2006 por US$ 18 bilhões. Os trabalhadores que estão em greve iniciaram o movimento em julho do ano passado acusando a empresa brasileira de não realizar investimentos prometidos e de tentar renegociar de forma desvantajosa os contratos coletivos. A paralisação chegou a contar com a adesão de 3 mil funcionários.