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Data de publicação: 11 Set 2009
POLÍCIA FERROVIÁRIA FEDERAL

 

Em discurso durante cerimônia de inauguração de obras do PAC no Rio de Janeiro, o presidente Lula diz qua já é possível legalizar definitivamente a vida da nossa Polícia Ferroviária Federal.

 

Olha, eu quero, primeiro, dizer ao povo da Baixada Fluminense e ao povo de Nova Iguaçu, da alegria de estar aqui no meio de vocês, em um dia de festa mas, também, em um dia de protesto, porque eu estou vendo, ali atrás, algumas pessoas gritando. E eu acho que esse é um momento glorioso, da consolidação do processo democrático brasileiro. Nem eu, nem o Governador, nem o Prefeito, e ninguém quer que o povo venha em uma manifestação apenas para concordar, se não está concordando. Desabafem. Desabafem, porque assim a gente vai conquistando as coisas.

            Então, eu queria cumprimentar o nosso querido Governador,

            O nosso querido Prefeito,

            Queridos deputados federais aqui presentes,

            Queria cumprimentar os secretários municipais, os secretários estaduais,

            Queria cumprimentar o nosso bispo da Diocese de Nova Iguaçu, dom Luciano Bergamin,

            Queria cumprimentar o padre Agostinho Preto,

            Queria cumprimentar a nossa companheira Benedita da Silva, que é uma figura especial na política social do companheiro Sérgio Cabral,

 

            E eu estou com um monte de papel aqui, eu vou largar os papéis para poder ter uma prosa com vocês. Olha, primeiro, eu queria que vocês tivessem a compreensão de que eu compreendo que eu já vivi tudo que o nosso povo vive. Se alguém me falar de fome, eu sei o que é; se alguém me falar que morou em rua com esgoto a céu aberto, eu morei a vida inteira; se alguém falar de enchente, eu já peguei umas dez na minha vida; se alguém falar de falta de transporte, eu, durante 27 anos, peguei ônibus para trabalhar. Então, eu conheço a vida de cada homem e de cada mulher deste país. E é sobre isso que eu queria falar com vocês.

            Primeiro, eu queria agradecer aos vereadores, que me deram o título de cidadão desta cidade. Eu espero estar preparado para um dia vir concorrer ou a vereador ou a prefeito aqui, em Nova Iguaçu.

            Eu estou vendo ali, Sérgio, estou vendo ali, Lindberg, o nosso “mata-mosquito” aí, que nós cuidamos tão bem. Eu lembro na campanha de 2002, onde o Serra ia, os mata-mosquitos estavam atrás do Serra com um mosquito muito grande.

“Queria dizer aos companheiros da Polícia Ferroviária Federal que já tem muita coisa acertada no Ministério da Justiça, na Advocacia-Geral da União, faltam apenas alguns detalhes no Ministério do Planejamento para a gente poder legalizar definitivamente a vida da nossa Polícia Ferroviária, até porque nós estamos recuperando a ferrovia neste País. Só no meu governo nós estamos fazendo mais de 6.700 Km de ferrovia. Tanto da ferrovia Norte-Sul quanto da Ferrovia Transnordestina, quanto da Ferrovia Leste-Oeste, porque este País não pode continuar pagando o preço de desmontar todo o sistema ferroviário que a gente tinha para ser substituído por caminhões e automóveis e hoje, nós aprendemos que a gente pode ter caminhão, a gente pode ter automóvel, mas o trem é o meio de transporte seguro, mais barato e economicamente mais rentável para as pessoas que querem mandar os seus produtos ou passageiros”.

            Quero dar parabéns ao Governador pelo tratamento dos trens que trazem o povo para Baixada Fluminense, porque nos anos 80 eu viajava nesse trem e o que a gente notava é que não tinha nenhum respeito pelos passageiros porque os trens estavam sucateados. Se você está colocando ar condicionado agora nos vagões ou vagões com ar condicionado, significa que a gente está fazendo pelo pobre aquilo que a gente deveria ter feito a vida inteira, tratando ele com dignidade e com respeito. Por isso meus parabéns.

            Mas companheiros e companheiras, eu estou vindo aqui para, não é nem inaugurar, é para a gente comemorar uma etapa que foi concluída aqui em Nova Iguaçu. Uma etapa e eu estou vendo que tem gente ali com faixa: cadê as obras do Km 32?, cadê as obras do Km 32? Vejam, é importante, pode cobrar o Km 32, pode cobrar o 48, 58, que nós vamos levar asfalto, água encanada, coleta de esgoto, tratamento de esgoto. Lógico, lógico que a gente não pode fazer tudo em pouco tempo, até porque faz dezenas de anos que esse povo daqui amassa barro. Na época da seca come poeira, na época da chuva amassa lama, e o que está acontecendo aqui é uma coisa muito importante. E a gente vê melhor quando a gente vê de helicóptero, porque a gente vê o conjunto da coisa feita. A gente não vê apenas uma rua, a gente vê todas que foram feitas. E todo mundo sabe que na hora em que a gente tiver todo tratamento de esgoto em toda a Baixada Fluminense, o milagre de recuperar a Baía da Guanabara estará acontecendo, porque na hora em que não tiver esgoto caindo lá, que a gente coletar tudo aqui, tratar e jogá-lo limpo no mar, a gente não vai precisar mais de Piscinão de Ramos, porque a gente vai utilizar é o mar de verdade para a gente poder tomar banho e para a gente poder mergulhar.

            Pois bem, eu acho que nós estamos vivendo um momento importante em nosso país. Eu tenho 63 anos de idade, 30 deles eu passei... Pareço um menino... Passei, dos meus 63 anos, 27 anos trabalhando dentro de uma fábrica. Eu, desses meus 27 anos dentro de uma fábrica, a maioria do tempo eu morava no Parque Bristol, em São Paulo, e eu morava na lama. Era um barro vermelho que, quando não chovia, a gente ia espirrar, saía um tijolo, e quando chovia, a gente ia trabalhar, levava uma casa na galocha, que a gente era obrigado a colocar para poder chegar até o ponto do ônibus. Então eu sinto o prazer que vocês estão sentindo de ver essa cidade deixar de aparecer nas páginas dos jornais pela quantidade de crimes que aqui ocorria, e aparecer nas páginas dos jornais como uma cidade que está dando aos seus filhos, aos seus moradores, tratamento respeitoso, adequado e digno.

E eu tenho consciência de que um governador, um prefeito e um presidente, ele pode fazer mil que no dia seguinte o povo está querendo mil e um. Se ele fizer 2 mil, o povo está querendo 2 mil e dois. Porque a natureza humana é assim. Tudo que a gente conquista hoje é pouco porque a gente descobre que pode conquistar mais. E a gente vai se organizando, a gente vai brigando, os governantes como eu, Lindberg e Sérgio Cabral vão aprendendo a fazer e as coisas vão melhorando, e vão melhorando muito.

E aí é o que eu queria dizer para vocês. Eu era presidente da República de 2002 a 2008, a 2006. Pois bem, é muito difícil um presidente da República fazer uma obra em um município quando o prefeito é inimigo do Governador, do Presidente. É muito difícil fazer uma obra em um estado quando o governador é inimigo do Presidente. Não que seja apenas inimigo, é que se o governador não gosta do Presidente e o Presidente não gosta do governador, eu tenho dinheiro para fazer uma obra no estado, se o governador não gosta de mim e eu não gosto dele, o que é o raciocínio normal? Bom, se ele não gosta de mim e eu não gosto dele, eu não vou gastar o dinheiro lá, eu vou gastar o dinheiro em outro estado. E isso significou o atraso deste país.

Quando... Eu não conhecia o Sérgio Cabral. Quando eu fui para o segundo turno, em 2006, o Sérgio Cabral foi para o segundo turno, e nós, então, fizemos um acordo. Naquele acordo, eu lembro como se fosse hoje, foi na Candelária, eu lembro como se fosse hoje, eu disse ao Sérgio Cabral: Sérgio, essa aliança nossa é a possibilidade de o estado do Rio de Janeiro fazer com o governo federal a maior aliança já feita entre o Rio de Janeiro e o governo federal. Para quê? Para melhorar a vida do povo do Rio de Janeiro. E eu, embora goste de todos os estados, respeite todos os estados, sou pernambucano, morei em São Paulo, construí a minha vida em São Paulo, eu sei o que este estado representa para o mundo e para o Brasil. Eu sei o que o Rio de Janeiro representa.

E eu sei que este estado, durante muitos anos, foi abandonado. Este menino aqui, este menino aqui, Sérgio, eu vou contar uma história. Este menino andava meio perdido, andava meio perdido. Saía de um partido, entrava em outro, falava uma coisa, não falava outra, muito novo. Eu o conheci na campanha das Diretas, uma vez eu o chamei na minha casa. Eu falei: Lindberg, eu já era Presidente. Eu falei: Lindberg, você, companheiro, vai ter que decidir se você quer vencer na vida política. Você vai ter que decidir e se você decidir, menino, você vai ter que agir com muito mais responsabilidade, definir um partido importante. Eu tinha vontade de trazê-lo para o PT quando ele era da UNE, mas como eu respeitava muito o PC do B, eu não quis convidá-lo. Mas depois que ele foi para um partido ultraesquerda aqui, eu falei: Não, agora eu vou convidá-lo para vir para o PT. Venha para o PT, decida o que você quer ser. “Ah, eu quero ser prefeito”. Então você vai ser prefeito, porque é lá, na Prefeitura, comendo lama, sendo xingado, sendo ofendido que você vai aprender a governar uma cidade.

            Bem, e eu não conheço os prefeitos da Baixada Fluminense, todos. Mas eu duvido que tenha aqui, no Rio de Janeiro, um prefeito que diga que eu não fiz alguma coisa por ele porque ele é de outro partido político. Não é assim que a minha cabeça funciona. A minha cabeça não funciona pela minha relação com o Sérgio ou com o Lindberg. Eu quero ter com eles uma relação de respeito: eles me respeitam, eu respeito eles; eles são meus companheiros, eu sou companheiros deles. Mas a minha relação é o seguinte: se o povo está precisando, eu não quero saber a que partido pertence o governo ou o prefeito. Nós temos é que fazer as coisas para atender as necessidades do povo.

            E posso dar o meu testemunho. Acho que há muitos anos, acho que há muitos anos Nova Iguaçu não tinha um prefeito comprometido com o povo como tem o Lindberg. Mas quero dar o meu testemunho aqui, da minha relação com muita gente aqui, no Rio de Janeiro, há muitos anos. Faz 25 anos que eu venho ao Rio de Janeiro. Às vezes, eu fico chateado porque eu venho há tantos anos, nunca me convidaram para molhar o pé na praia de Copacabana, é só para reunião de trabalho.

            Pois bem, eu quero dar o meu testemunho de que há muitas décadas o Rio de Janeiro não tinha um governador com a sensibilidade que tem o companheiro Sérgio Cabral, e com a lealdade na relação com o governo federal que tem o companheiro Sérgio Cabral. A gente não tem divergência, a gente trabalha junto, naquilo que eu preciso ele faz, naquilo que ele precisa eu faço, porque tanto ele quanto eu, nós sabemos que o que vai contar para a nossa vida é saber se a gente foi honesto com o povo ou não foi honesto com o povo, se a gente fez as coisas ou não fez as coisas com o povo.

            E o que está acontecendo no Rio de Janeiro, vocês vão ser testemunhas. Eu, agora, todo mês vou vir ao Rio de Janeiro. Já falei... Não, eu venho mais que uma vez por mês. Aliás, tem outros governadores que reclamam que eu venho muito ao Rio de Janeiro. É pelo seguinte: o companheiro Marcio Fortes tem que saber que é preciso dar um tratamento igual a todos os prefeitos da Baixada Fluminense. É preciso saber, as necessidades aqui são muitas, aqui o pessoal precisa de água encanada, de asfalto, de coleta de esgoto, de tudo que precisar, de casa, e também precisa trabalhar.

            Então, veja, eu conheço a realidade da Baixada Fluminense. Olhem aqui, tem um companheiro aqui, do PT de Belford Roxo. Hein? Eu sei, tem um prefeito aqui que está dizendo, que em Belford Roxo 70% não tem asfalto, 70% não tem água, 70% não tem um... A culpa é do Márcio Fortes, não é minha, não. É porque, companheiros, veja, quando... Eu estava dizendo que a gente não pode consertar os desmandos de 500 anos em oito anos ou em nove anos, ou seja, a reparação que nós temos que fazer é muito grande. Mas você vai ver o que vai ser a revolução nessa região quando o arco rodoviário estiver pronto, o que vai ser de desenvolvimento aqui nessa região. Porque eu tenho a convicção, eu tenho a convicção de que nós estamos fazendo pelo Rio de Janeiro, em oito anos, mais do que foi feito em 30 ou 40 anos pelos outros governantes deste país. Eu tenho clareza. Mas tenho clareza de que ainda falta muita coisa para ser feita. Muita coisa. Eu quero estar vivo para a gente ver o Rio de Janeiro sem favela, o Rio de Janeiro com bairro. Cada favela tem que ser um bairro.

            Hoje eu fui inaugurar casa lá em Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, dando casa descente, apartamento descente, para as pessoas pobres que antes eram vistas apenas como bandido. E nós vamos fazer no Complexo do Alemão, em Manguinhos, em tudo que é favela do Rio, de São Paulo, da Bahia. Não tem um estado, hoje, em que a gente não esteja investindo na recuperação dos lugares degradados, com palafita, com favela, com gente morando na beira de córrego ou de encosta. Agora, esse é um desmando de cem anos. É um desmando de cem anos. Para a gente melhorar isso, vai levar algumas décadas. Não é em uma década, nem em um mandato.

            Agora, o que está acontecendo? Quando a coisa está acontecendo de forma adequada... eu dizia que a economia brasileira não ia cair como a economia mundial, eu dizia que a economia brasileira seria a última a entrar em crise e a primeira a sair. E agora eu acabei de receber a informação: no mês de julho nós geramos 138 mil novos empregos de carteira profissional assinada; hoje nós temos menos desemprego do que Estados Unidos e do que Europa; nós tínhamos a menor taxa de juros da história do Brasil. Nós estamos tão chiques, estamos tão chiques, que quando eu tomei posse, a gente devia 30 bilhões ao FMI. Hoje, o FMI me deve US$ 10 bilhões, de tão chique que a gente está. Nós temos US$ 213 bilhões de reservas, nós somos respeitados no mundo, hoje, coisa que a gente não era há pouco tempo. A gente era tratado como se fôssemos homens e mulheres de segunda categoria e hoje nós podemos andar de cabeça erguida em qualquer lugar do mundo, que as pessoas nos respeitam, porque sabem que nós somos pobres, mas temos orgulho. Este país é um país grande e tem que ser respeitado. E agora que nós descobrimos o pré-sal, nós descobrimos uma grande reserva de petróleo que vai do Espírito Santo até São Paulo, na Bacia de Campos e outra Bacia que eu não sei como é que chama. Como é que chama? A Bacia de Santos.

Pois bem, esse petróleo, nós temos um compromisso, nós temos um compromisso. Parte desse petróleo será para a gente resolver, nós vamos criar um fundo desse petróleo para que a gente possa resolver três coisas deste país. Primeiro: acabar com a pobreza neste país, sabe, melhorar a vida dos pobres, fazer um grande investimento em educação para a gente sair do atraso a que nós fomos submetidos e fazer um grande investimento em ciência e tecnologia para que o Brasil se transforme em um país de ponta. Porque, hoje, um país é considerado grande não se a gente exporta minério de ferro ou café ou suco de laranja. É importante exportar isso, mas o que dá mais riqueza para um país é a gente exportar conhecimento, a inteligência, produto sofisticado feito pela inteligência do povo brasileiro. E isso não está longe de acontecer. Nós já começamos a mexer a seis mil metros de profundidade para tirar petróleo.

Na semana que vem, ou na outra, vamos mandar para o Congresso a lei regulando e nós vamos poder transformar este país, não sei se eu vejo isso, mas daqui a 15 ou 20 anos, este país estará em um outro patamar, porque nós estamos fazendo investimento na educação. E aí, Lindberg, é importante que os prefeitos saibam – eu não sei se tem escola técnica em todas as prefeituras da Baixada Fluminense. Eu espero que se Belford Roxo não tiver, por favor, reivindique prefeito, pelo amor de Deus, mande o projeto, entregue o projeto, já está lá, veja.

Eu vou só contar uma coisa para vocês saberem o que está acontecendo no Brasil. A Proclamação da República foi feita em 1898, correto? Mil oitocentos e noventa e oito. Pois bem, de 1889, de 89, 1889. Pois bem, já faz quase 120 anos. Pois bem, de lá para cá, imaginem quantos presidentes o Brasil teve, da Proclamação da República até agora. A primeira escola técnica foi feita pelo presidente Nilo Peçanha em 1909, na cidade de Campos de Goytacazes, aqui, no Rio de Janeiro. De lá para cá, até 2003, foram feitas 140 escolas técnicas. Em um século, fizeram 140 escolas técnicas. Nós, em oito anos, vamos fazer 214 escolas técnicas profissionais no País. Em oito anos, nós vamos fazer uma vez e meia o que foi feito em um século. Do ponto de vista das universidades, nós já temos 12 novas funcionando, tem mais uma latino-americana que os professores vão ser latino-americanos, o currículo latino-americano, os estudantes latino-americanos. Nós vamos fazer uma na cidade de Redenção, no Ceará – o projeto está para ser aprovado no Congresso –, afro-brasileira, é metade dos estudantes africanos e metade dos estudantes brasileiros, para que a gente possa pagar parte da nossa dívida com o continente africano.

            Mas o que é mais importante, é que nós já fizemos até agora 104 extensões universitárias no Brasil inteiro. É a universidade saindo da capital, indo para o interior para atender as crianças e os adolescentes brasileiros que precisam estudar. Mas o mais importante ainda é que o ProUni já colocou na universidade 545 mil jovens brasileiros, dos quais 40% são jovens meninas e meninos negros da periferia deste país. E eu tenho certeza que aqui tem gente no ProUni, eu tenho certeza.

Mas também dizer para vocês do ReUni. O ReUni, quando nós pensamos o ReUni, o que era o ReUni? O ReUni era a gente aumentar de 12 alunos por professor na sala de aula para 18 alunos por professor na sala de aula. Tinha uma parte da pequena elite brasileira, que já estava na universidade, que até quebrou, até quebrou a reitoria da Universidade do Rio de Janeiro e de vários países. Aquele filhinho de papai, aqueles que já estudavam e que não queriam que os pobres entrassem na escola. “Ah, 18 alunos é muito, é preciso ficar apenas 12 alunos”. Pois bem, nós encaramos. Historicamente, sabem quantos alunos eram renovados na universidade federal brasileira? Apenas 123 mil era a renovação anual da universidade. Este ano, já foi, por conta do Reuni, 227 mil novos alunos que entraram na escola pública federal. E nós estamos fazendo isso porque temos a compreensão do governador, temos a compreensão dos prefeitos, e isso não pára mais.

            Quando terminar o meu mandato, em dezembro do ano que vem, dia 31, cada ministro já sabe o seguinte: cada ministro vai me entregar o que foi feito registrado em cartório. Por quê? Porque quem vier depois de mim vai ter um paradigma diferente para começar a governar. Não vai ficar do zero, porque teve presidente neste país que não fez uma universidade, teve presidente neste país que não fez uma escola técnica, pelo contrário, mandaram uma lei para o Congresso Nacional, em 98, tirando da União a responsabilidade pelo ensino técnico federal, e acabou. Pois bem, nós recuperamos isso. Então, quem vier depois de mim vai ter que trabalhar mais, vai ter que trabalhar mais, vai ter que fazer mais, porque o povo está esperto, o povo não está malandro, o povo está sabido.

            Eu não posso falar em candidatura aqui, porque senão daqui a pouco eu sou processado. Então, eu não posso falar em candidatura, tá? Tem o tempo certo. Eu só queria que o nosso Bispo soubesse de uma coisa: finalmente, este país aprendeu a cuidar do povo pobre deste país. Finalmente aprendeu. E aprendemos porque eu sou um deles. Quando eu sei do problema da educação, é porque eu não tive a oportunidade de fazer uma universidade. Eu, com 13 anos tive que trabalhar para levar o pão de cada dia para dentro de casa. E eu sei como é que as mulheres deste país, sobretudo as mães de jovens mais pobres, têm vontade que seus filhos estudem. Eu sei o que é uma menina com uma profissão, eu sei o que é um menino com uma profissão. Se um menino tiver uma profissão, ele vai arrumar emprego em qualquer lugar do Brasil.

Uma menina, nós precisamos saber o seguinte: a mulher, ela tem que se formar, porque a formação da mulher é a independência dela. A mulher não pode viver com o marido porque ela depende do salário dele, ela tem que viver com o marido porque ela gosta dele, mas ela tem que ter o seu salário para viver. E quando ele chegar em casa e falar grosso, a mulher fala: “Espera aí, meu filho, está falando grosso por quê? Está falando grosso por quê? Nós somos companheiros ou não somos companheiros?”. Então, não tem nada mais triste do que a mulher, no final do mês, precisar de 10 “mil réis” e pedir para o marido. Se ele está de bom humor, ele dá; se ele não está de bom humor, ele fala: “Outra vez? Outra vez? Está gastando demais”.

            Então, o que nós queremos é que homem e mulher vivam em harmonia, mas cada um sendo dono do seu nariz, se respeitando, vivendo harmonicamente, cuidando da sua família. Porque hoje nós temos um problema no Brasil, viu, companheiro Governador e companheiro Prefeito? Um dos problemas que nós temos no Brasil é a degradação da estrutura familiar neste país. É por isso que sai violência, é por isso que filho abandona casa.

            Então, o que nós temos que trabalhar, e eu digo isso todo dia: goste quem gostar, nós precisamos começar a olhar o que a nossa televisão ensina para nossas crianças todo dia. A Igreja poderia fazer uma pesquisa para ver quantas pessoas morrem por dia na televisão nos filmes. Os caras começam atirando uma hora da manhã, eu vou dormir uma hora da manhã do outro dia e ainda tem bala no revólver atirando, ou seja, é isso que as nossas crianças vêem. Quais são os programas educacionais que as nossas crianças têm? Qual é a orientação que nós temos? Nenhuma. Então, companheiros e companheiras, olhem, eu quero terminar dizendo para vocês o seguinte: eu, quando deixar a Presidência da República, eu quero ter um orgulho na vida: o orgulho de nunca ter mentido para esse povo. De ter olhado na cara de cada homem, de cada mulher e estar vendo a minha mãe, estar vendo um filho meu, estar vendo um neto meu. Porque essa relação de confiança tem que ter. Segundo: ninguém tem que ter dúvida. Todo mundo sabe que eu sou Presidente de todo povo brasileiro, de ricos e pobres. Mas na hora em que eu tenho que fazer as minhas opções, a minha prioridade é o povo pobre deste país, que é quem precisa do Estado brasileiro, e nós não abrimos mão disso.

            Teve um tempo, Sérgio, que inventaram um tal de formador de opinião pública. “Ah, Lula, você não pode falar isso porque os formadores de opinião pública não vão gostar”. E aí, quando chegou a eleição de 2006, o povo deu uma lição. O povo não quer intermediário entre ele e quem ele vai votar. O povo sabe quem é quem, escolhe sem precisar de intermediário. E é essa lição que nós temos que dar. Esse povo aprendeu a andar de cabeça erguida. Esse povo aprendeu a entender o que é mentira e o que é verdade. Esse povo aprendeu o que é justiça e o que é injustiça. E eu peço a Deus que esse povo nunca mais baixe a cabeça. Se um homem como eu, nordestino, que só tem o diploma primário, chegou à Presidência da República, por que vocês não podem chegar a todos os cargos que vocês quiserem? É só se preparar, é só perseverar, é só lutar e não desanimar nunca.

            Por isso, meu caro Prefeito, meu caro governador Sérgio Cabral, meu caro prefeito Lindberg, meu querido companheiro Pezão, eu quero dizer para vocês: para mim hoje foi um dia glorioso. Entregar casa ao povo pobre de Pavão-Pavãozinho e de visitar Nova Iguaçu e ver que uma parte da população já está podendo andar sem precisar olhar para o chão porque não está pisando mais no barro, em fezes ou em urina a céu aberto.

            Que Deus abençoe a todos vocês e vamos continuar trabalhando porque nós poderemos fazer muito mais por este país. Um abraço, gente, e até outro dia.

 

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