MURAL
Data de publicação: 18 Jul 2012
Vigilantes denunciam más condições de trabalho
 
Jornada de trabalho de até 16 horas, sem intervalo para refeição e sem pagamento de horas-extras. Esta é apenas uma das reclamações que os trabalhadores em empresas de transporte de valores apresentaram à Comissão do Trabalho, da Previdência e da Ação Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta quarta-feira (11/7/12). Somadas aos baixos salários e ao assédio moral, as condições de trabalho da categoria têm causado adoecimento e demissão de muitos vigilantes e motoristas de carros fortes, como denunciaram os sindicalistas que participaram da reunião.

A questão da segurança também aflige esses trabalhadores. Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Transporte de Valores de Minas Gerais, Emanoel da Silva Sady, o uso de apenas dois vigilantes para abastecer caixas eletrônicos fragiliza a segurança desses trabalhadores. Para complicar a situação, não há vagas de estacionamento para os carros fortes na frente das agências bancárias, o que expõe ainda mais esses trabalhadores ao risco de assaltos. Eles também reclamaram que muitas vezes são obrigados a contar o dinheiro que vai abastecer os caixas, o que também oferece perigo.

A situação não é muito melhor para os funcionários da tesouraria. De acordo com Emanoel da Silva Sady, eles ficam confinados em locais com portas blindadas e precisam pedir permissão para ir ao banheiro. Muitos trabalham até de madrugada sem lanche e sem transporte para voltar para casa. Alguns sofrem desconto no salário quando há problemas na contabilidade do dinheiro e chegam a receber apenas R$ 340 por mês. Os motoristas dos carros fortes, segundo o sindicalista, sofrem com a falta de ergonomia dos carros e com a falta de ventilação adequada.

Trabalhadores fizeram relatos emocionados das dificuldades que enfrentam, depois de perderem o emprego por terem adoecido em função das condições degradantes de trabalho. Alguns não conseguem se aposentar porque não são considerados inválidos pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O deputado Carlos Pimenta (PDT), que presidiu a reunião, se disse horrorizado com os relatos feitos pelos trabalhadores e se colocou à disposição para ajudá-los. “Eles têm seus direitos, mas nem sempre são respeitados. É necessário que o Ministério do Trabalho e o INSS possam intervir nessa situação”, afirmou.

O deputado Celinho do Sinttrocel (PCdoB), que solicitou a audiência, também se disse preocupado com as denúncias fortes feitas pelos trabalhadores. “Eles merecem salários e condições de trabalho condizentes com o risco e o estresse a que estão submetidos”, defendeu. O parlamentar disse que vai propor a realização de uma visita técnica da comissão às empresas de transporte de valores, para verificar as condições de trabalho de seus funcionários. O requerimento com essa finalidade, assim como outros pedidos de providências a vários órgãos públicos, serão votados na próxima reunião da comissão.

Para empresas, atividade é insegura como qualquer outra

A representante do sindicato patronal rebateu as acusações feitas pelos trabalhadores durante a audiência pública. Para a assessora jurídica do Sindicato das Empresas de Transporte de Valores de Minas Gerais, Regina Fátima Abrantes Resende, as denúncias feitas não se referem às grandes empresas do setor, que segundo ela procuram oferecer boas condições de trabalho. “É uma atividade insegura, assim como qualquer outra”, afirmou. Ela ainda desafiou os deputados a visitarem as dependências de uma tesouraria para verificar as boas condições de trabalho oferecidas.

A demissão de trabalhadores doentes que não conseguiram afastamento definitivo pelo INSS não depende da empresa, de acordo com ela. “Se a pessoa não tem condições de desenvolver outra atividade na empresa, é difícil mantê-la eternamente”, afirmou. Sobre a jornada de trabalho excessiva, ela admitiu que o problema ocorre em viagens longas, pois não há pontos de apoio para as empresas nas estradas. “Não tem como simplesmente estacionar um carro forte cheio de dinheiro numa parada para todo mundo almoçar”, justificou.

O assaltos e explosões de caixas eletrônicos não são problema das empresas de transporte de valores, e sim dos bancos, na opinião de Regina Abrantes. Já a contagem de dinheiro antes de abastecer os caixas eletrônicos ocorre raramente, somente nas máquinas mais antigas, segundo ela. A representante das empresas ainda reclamou da falta de vagas de estacionamento para os carros fortes em frente às agências bancárias e das dificuldades impostas pelos shoppings para o abastecimento dos caixas eletrônicos.

Fonte: NCST/MG

 

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