Apenas nos dois primeiros dias do mês de fevereiro, 20 pessoas morreram em dois desastres envolvendo ônibus no país - um na rodovia Fernão Dias, em São Paulo, e outro na rodovia GO-174, em Goiás. As tragédias caíram como bomba na imprensa, que prontamente apontou os motoristas profissionais como principais culpados nos casos.
O fato é que os acidentes nas estradas e nas cidades vem crescendo na mesma intensidade em que o trânsito e o número de veículos nas vias aumentam. A falta de segurança que afeta tanto os motoristas profissionais, quanto a sociedade em geral, não é de hoje e necessita deuma solução urgente.
As longas jornadas impostas aos motoristas profissionais, o uso de drogas para aguentar essas longas horas de viagem, as péssimas condições das estradas e o estado de conservação dos veículos são só alguns dos problemas por trás desse grande caos, que faz com que a profissão de motorista seja a segunda mais mortal no Brasil.
Diante da repercussão dos fatos, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT), que representa os motoristas profissionais do Brasil, vem à público manifestar sua posição acerca do tema e denunciar a falta de comprometimento de alguns parlamentares, que descaradamente vem atuando para “barrar” projetos de lei que vão ajudar de forma concreta a reduzir o número de acidentes e mortes nas estradas.
SENADORES IRRESPONSÁVEIS
Durante dois anos, o projeto de regulamentação da profissão de motorista (PL nº 99/2007) tramitou na Câmara dos Deputados, sendo aprovado em todas as comissões da casa legislativa. Imaginava-se que os motoristas profissionais estariam chegando perto da tão sonhada regulamentação e as relações de trabalho, saúde e segurança no transporte rodoviário teriam uma solução. No entanto, em menos de um mês da chegada do projeto no Senado (agora sob a numeração de PLC 319), chovem emendas de senadores ligados aos empresários, numa demonstração de total irresponsabilidade e descomprometimento com o povo brasileiro.
Já são oito requerimentos de senadores que tentam impedir o encaminhamento normal do projeto. Somente o senador-empresário Acir Gurcaz (PDT-RO) entrou com quatro emendas para tentar descaracterizar o PL e beneficiar as empresas de transporte. O senador Renato Casagrande (PSB-ES) é autor de dois requerimentos, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Romeu Tuma (PTB-SP) são autores de um cada.
A CNTTT e suas Federações filiadas, em conjunto com a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), estão traçando novas estratégias para tentar reverter esse quadro. Assim como na passagem da Câmara, os representantes dos trabalhadores vão mostrar que o interesse da maioria tem peso e deve ser respeitado.
Pela moralização das relações de trabalho no transporte rodoviário, por mais segurança e por mais vidas, os motoristas profissionais clamam: REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE MOTORISTA JÁ!

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